O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kleber Cabral, prestou depoimento à Polícia Federal na condição de investigado. A oitiva ocorreu por videoconferência, na tarde de sexta-feira (20), e foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, dentro do Inquérito das Fake News.
Cabral foi intimado após criticar medidas do Supremo que atingiram auditores fiscais suspeitos de acessar indevidamente dados de familiares de ministros. O depoimento durou cerca de uma hora e meia e, segundo fontes, transcorreu de forma tranquila. O conteúdo está sob sigilo.
Em nota, a Unafisco informou que não poderia detalhar o interrogatório, já que o presidente da entidade foi comunicado de que o procedimento corre em segredo de justiça. A associação destacou que Cabral foi ouvido apenas em razão de declarações concedidas à Globo News quando disse que é menos arriscado investigar o PCC do que altas autoridades do país.
Contexto da investigação
Na última terça-feira (17), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A operação apura supostos vazamentos de dados da Receita Federal envolvendo ministros do STF e seus familiares. Até agora, foram identificados acessos irregulares às informações da esposa de Alexandre de Moraes, de um filho de Luiz Fux e de uma ex-enteada de Gilmar Mendes.
Quatro servidores do Fisco são investigados. Um deles, Ricardo Mansano de Moraes, foi exonerado nesta semana. Ele nega irregularidades. A PF ainda não esclareceu se os suspeitos agiram em conjunto ou de forma isolada.
Defesa de servidora fala em “situação degradante”
Entre os alvos da operação está a servidora Ruth Machado dos Santos, acusada de acessar dados da esposa de Moraes. Após prestar depoimento, ela recebeu tornozeleira eletrônica em uma unidade prisional masculina de São Vicente, no litoral paulista. Segundo a defesa, o equipamento foi entregue com apenas 4% de bateria, o que teria impedido o deslocamento imediato até o Guarujá, onde mora. A advogada classificou o episódio como “degradante” e “constrangedor”.
Ruth nega ter acessado os dados da esposa do ministro. A reportagem solicitou posicionamento da PF e da Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo, mas não obteve resposta.
Críticas e silêncio
Antes de ser intimado, Kleber Cabral havia criticado publicamente as medidas cautelares determinadas por Moraes, classificando-as como desproporcionais e gravosas. Ele também afirmou que o STF estaria usando a Receita para desviar o foco da crise envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Após a intimação, o presidente da Unafisco decidiu não conceder novas entrevistas.





