Ricardo Guedes


Ricardo Guedes*

Na Pesquisa Datafolha, Lula caiu para 24% de aprovação de seu Governo, percentual que, a se manter, tira suas chances de vitória nas eleições Presidenciais de 2026. O incumbente para ser reeleito tem que ter 55% de aprovação de seu Governo, 40% ou mais para concorrer, abaixo de 40% não se reelege. E, neste cenário, Lula não se reelege, nem faz o sucessor.

As razões porque Lula caiu em sua aprovação são econômicas.

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Existe uma forte correlação entre o aumento da renda da população e a vitória dos governantes em eleições, e quando a renda cai ou não cresce, o incumbente perde.

Lula pegou o governo com o PIB em US$ 1,9 trilhão em dólares correntes em 2002, elevando o PIB para US$ 2,2 trilhões em 2023, devido ao crescimento de em moeda nacional de 2,3% e valorização do real em 5,0% frente ao dolar. Em 2024, o PIB cresceu 3,5% em moeda nacional, com desvalorização do real em 22%, o PIB devendo ficar entre US$ 1,7 trilhão a US$ 1,8 trilhão em dólares correntes conforme projeções. Sabemos que a alta do dólar gera inflação cambial, primeiro porque dependemos da importação de insumos para a nossa economia, segundo porque dependemos da exportação de commodities, o que gera, com o aumento do dólar e dos preços internacionais, a elevação dos preços internos aqui no Brasil. Assim, para a inflação de 4,83% em 2024, tivemos nos últimos 12 meses, segundo o Indice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, o aumento da carne em 15,43%, frango 17,15%, arroz 41,21%, feijão 23,41%, tomate 15,6%, alface 8,5%, açúcar 14,15%, café 16,0%. Pesa no bolso da população.

É verdade que a taxa de desemprego no Brasil caiu para 6,2% no final de 2024, recorde na série da medição brasileira. Adicionalmente, o aumento do salário mínimo para 2025 foi de 7,51%, acima da inflação de 4,83% em 2024. Mas o aumento do preço da alimentação excedeu em muito à reposição do salário mínimo e do poder de compra da população de renda mais baixa. O aumento do preço da cesta básica nos últimos 12 meses foi de 9,77% em Brasília, 9,17% em São Paulo. Não adianta gerar índices positivos de emprego sem o poder de compra correspondente.

Lula perdeu a oportunidade de gerar um novo plano econômico para o país, como no Lula I e II, quando Henrique Meirelles casou a nova demanda dos programas sociais de Lula com nova oferta de créditos subsidiados para a indústria então ociosa, com desenvolvimento para o país. Neste governo, faltou um plano econômico que casasse nova oferta com nova demanda, que pudesse levar ao desenvolvimento. Não há mais tempo para isso.

No Brasil, o crescente desequilíbrio fiscal, e as contínuas declarações de Lula sobre a não necessidade de equilíbrio fiscal, fazem o dólar permanecer em alta. Nos últimos 15 anos, o PIB do Brasil não experimentou qualquer crescimento, enquanto o mundo, os EUA, e a China, assim como outros países, cresceram significativamente.

É delicada a situação de Lula, e de suas escolhas.

*Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago, CEO da Sensus, e do Conselho Editorial do Brasil Confidencial.