O ex-presidente Bill Clinton será hoje o centro das atenções em rede nacional de TV e na imprensa norte-americana. Ele comparece ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, liderado pelos republicanos, para responder a perguntas sobre seus laços com Jeffrey Epstein, tornando-se o primeiro ex-mandatário do país a depor perante membros do Congresso em mais de quatro décadas.
Clinton será ouvido em sessão fechada, um dia depois de o comitê ter interrogado sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, por cerca de seis horas sobre o que sabia a respeito de Epstein e da cúmplice Ghislaine Maxwell.
O presidente do comitê, James Comer, republicano do Kentucky, afirmou na quinta-feira (26) que esperava que o depoimento de Clinton fosse “ainda mais longo”. A reunião ocorre em Chappaqua, Nova York, onde os Clinton têm residência.
Sob juramento, no mês passado, o casal declarou não ter “nenhum conhecimento pessoal” de quaisquer “atividades criminosas” de Epstein ou Maxwell. Hillary disse não se lembrar de ter conhecido Epstein, enquanto Bill Clinton admitiu ter viajado em seu avião em 2002 e 2003, em missões internacionais ligadas à Fundação Clinton.
Em sua declaração, o ex-presidente explicou que Epstein “ofereceu um avião grande o suficiente para acomodar a mim, minha equipe e meus agentes do Serviço Secreto dos EUA, para que eu pudesse visitar as atividades filantrópicas da Fundação”.
Donald Trump acusou Clinton de ter feito dezenas de viagens à ilha de Epstein no Caribe, mas o democrata negou. A chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, disse em entrevista à Vanity Fair no ano passado que Trump “estava errado sobre isso”.
Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça também indicam que Clinton não esteve na ilha. Maxwell, em entrevista a autoridades, reforçou que ele nunca visitou o local.
“Não me lembro de ter falado com o Sr. Epstein por mais de uma década antes de sua prisão em 2019”, declarou Clinton.
Epstein, condenado em 2008 por aliciamento de menor, morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por novas acusações federais. Maxwell foi condenada em 2021 por tráfico sexual e cumpre pena de 20 anos.
Os arquivos divulgados até agora incluem fotos de Clinton com Epstein e Maxwell, algumas em piscina e banheira de hidromassagem. As imagens não têm data nem local definido e não sugerem irregularidades.
Em agosto, o Comitê de Supervisão intimou os Clinton e vários ex-altos funcionários do Departamento de Justiça a depor. Após meses de negociações, o casal aceitou, enquanto a Câmara se preparava para votar resoluções de desacato.
Depoimento de Hillary Clinton
Na véspera, Hillary Clinton declarou ao comitê que não possui novas informações sobre Epstein e Maxwell e criticou a forma como os republicanos conduzem a investigação.
“Eu não fazia ideia das atividades criminosas deles. Não me lembro de ter encontrado o Sr. Epstein. Nunca voei no avião dele nem visitei sua casa ou escritórios na ilha”, disse em sua declaração inicial, publicada no X e apresentada em audiência a portas fechadas.
Após o depoimento, afirmou ter respondido “a todas as perguntas o mais completamente possível”, embora considerasse as questões “repetitivas”. Reforçou que “nunca conheci Jeffrey Epstein” e que conheceu Maxwell apenas “casualmente, como uma conhecida”.
Hillary relatou ainda que a sessão tomou um rumo estranho quando um dos membros perguntou sobre OVNIs e a teoria da conspiração do “pizzagate”.
O presidente do comitê, James Comer, classificou a entrevista como “produtiva”. Já a deputada Nancy Mace, republicana da Carolina do Sul, disse que Hillary “respondeu todas as perguntas de todos os membros” de ambos os partidos.





