Seguranças da Casa Branca no momento que escutam os primeiros disparos. (Reprodução: TV)


O suspeito do atentado durante o Jantar dos Correspondentes da Casa Branca escreveu um “manifesto” afirmando que planejava atingir funcionários do governo Trump, “priorizados do cargo mais alto ao mais baixo”, de acordo com uma cópia obtida pela CBS News.

Cole Allen, de 31 anos, escreveu que policiais, funcionários do hotel e hóspedes não eram seus alvos pretendidos, mas que ele os atacaria para chegar aos membros do governo, acrescentando: “Espero de verdade que não chegue a esse ponto”.
Allen avançou contra um posto de controle de segurança do lado de fora do jantar armado com uma espingarda, uma pistola e facas, informou o procurador-geral interino Todd Blanche. O presidente Trump e outros funcionários do governo foram rapidamente retirados do local, e o evento foi cancelado logo em seguida.

Fontes policiais disseram à CBS News que o irmão de Allen, alarmado pelo e-mail que ele e outros familiares receberam, ligou para a polícia em Connecticut para alertá-los na noite de sábado.

As autoridades afirmaram ter encontrado outros escritos na casa do suspeito em Torrance, Califórnia, e em seu quarto no 10º andar do hotel Washington Hilton, onde o jantar era realizado.

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“Posso ter feito uma surpresa para muita gente hoje”

Ao longo do e-mail, o tom de Allen foi pragmático e, por vezes, irônico. “Olá a todos!”, escreveu ele. “Bem, posso ter feito uma surpresa para muita gente hoje.”

“Peço desculpas aos meus pais por dizer que tinha uma entrevista sem especificar que era para a lista dos ‘Mais Procurados'”, dizia o texto.

Ele também se desculpou com colegas e alunos por ter dito que tinha uma emergência pessoal, afirmando que, no momento em que alguém lesse o e-mail, ele provavelmente precisaria de cuidados médicos de emergência, referindo-se a possíveis ferimentos como um “estado autoinfligido”.

Alvos priorizados por escalão — com uma exceção

Allen disse que planejou o ataque porque não queria que os “crimes” do governo “sujassem suas mãos”. Ele não se referiu a Trump ou ao evento pelo nome, mas disse que pretendia atingir funcionários do governo “priorizados do cargo mais alto ao mais baixo”.

No entanto, ele abriu uma exceção: “Exceto o Sr. Patel”, disse, referindo-se ao diretor do FBI, que também estava presente no jantar de sábado.

Ele afirmou que não pretendia atingir o Serviço Secreto, a Polícia do Capitólio ou tropas da Guarda Nacional, a menos que fosse necessário. “Espero que estejam usando coletes à prova de balas”, escreveu. Um agente do Serviço Secreto que foi baleado estava usando o colete e recebeu alta do hospital neste domingo.

Allen escreveu ainda: “Para minimizar as baixas, também usarei munição buckshot (balins) em vez de slugs (balas singulares), pois têm menor penetração através das paredes”.

Respostas a objeções hipotéticas

O texto de Allen abordava uma série de objeções que seus leitores poderiam ter, apresentando “réplicas” para cada uma.

“Como uma pessoa negra e branca, você não deveria ser quem está fazendo isso”, escreveu ele como uma objeção hipotética. “Réplica: não vejo mais ninguém assumindo essa responsabilidade.”

Outra objeção hipotética levantada por Allen no e-mail foi que, como cristão, ele deveria “dar a outra face”.

“Réplica”, escreveu ele. “Dar a outra face é para quando você mesmo é o oprimido.” Em seguida, ele listou várias vítimas anônimas hipotéticas que passaram por dificuldades, em alguns casos culpando o governo por esses problemas.

“Não espero perdão, mas se eu tivesse visto qualquer outra maneira de chegar tão perto, eu teria aceitado”, disse ele, referindo-se ao jantar.

Críticas à segurança do hotel

“P.S.”, continuou ele, “Ok, agora que toda a parte sentimental acabou, o que diabos o Serviço Secreto está fazendo? (…) Segurança nenhuma. Nem no transporte, nem no hotel, nem no evento.”

Ele afirmou que, se fosse um agente iraniano, poderia ter entrado com uma metralhadora — à qual se referiu como “Ma Deuce” — e ninguém teria notado.

Como o Washington Hilton continuou funcionando como um hotel comum, com diversos espaços públicos durante o jantar, o prédio inteiro não estava isolado pelo Serviço Secreto, apenas as áreas específicas onde o evento ocorria.

Família diz que ele mencionava planos de fazer “algo”

Após a tentativa de ataque, a irmã de Allen disse aos investigadores que ele usava frequentemente uma retórica “radical”, às vezes falando em fazer “algo” para corrigir problemas percebidos na sociedade, segundo informaram autoridades federais e da Casa Branca à CBS News.

Mais de 2.500 pessoas compareceram à gala de sábado, que celebra a Primeira Emenda. Trump recusou o convite em todos os anos de sua presidência, exceto este. O presidente declarou que deseja reagendar o jantar nos próximos 30 dias.