Fumaça é vista após ataque de Israel em Beirute, consequência da escalada do conflito entre o Hezbollah e Israel - Reprodução


Por Moisés Rabinovici

A bomba de gasolina e o bujão de gás explodiram hoje na guerra do Oriente Médio — e seus estilhaços atingem o mundo inteiro.

Ao mesmo tempo, uma grande explosão voltou a sacudir o centro de Beirute, depois que o Hezbollah disparou 200 mísseis contra o norte de Israel durante a noite.

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Israel caçou paramilitares Basij iranianos com drones — são eles que reprimem as manifestações contra o regime teocrático. O Irã respondeu com mais um míssil balístico de fragmentação, carregado com 50 a 70 bombas de oito quilos.

O novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, declarou fechado o Estreito de Ormuz — e o barril de petróleo saltou para 100 dólares, e subindo, enquanto três petroleiros ardiam em chamas no Golfo Pérsico.

O New York Times relatou que uma cremação teve de ser suspensa por falta de gás na Índia. Em Hanói, no Vietnã, postos cobriram suas bombas de combustível com cartazes de “tudo vendido”.

Fazendeiros no México, na Europa, no Canadá e no Brasil já esperam fertilizantes mais caros. Alimentos, medicamentos, chips, óleo de cozinha e passagens aéreas — tudo deverá subir.

Na capa, a revista britânica The Economist anunciou um ataque à economia mundial.

Na manhã deste 13º dia de guerra, vieram também as primeiras declarações do novo líder supremo iraniano. Mojtaba Khamenei prometeu “vingar o sangue dos mártires”, sobretudo o das dezenas de crianças mortas enquanto estavam na escola, em Minab, ao lado de uma base naval iraniana.

Ataque de Israel atinge alvo em Beirute a um quilômetro de sede do governo – Reprodução

Ele elogiou o Hezbollah pelo “auto-sacrifício” ao atacar Israel em ajuda ao Irã e reiterou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado. Pediu desculpas aos países vizinhos, afirmando que Teerã ataca apenas bases militares americanas em seus territórios.

Khamenei não apareceu em público. Sabe que se tornou o alvo número 1 de Israel.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, respondeu à ameaça do presidente Donald Trump de cortar a energia do país “dentro de uma hora”. Disse que Teerã poderia provocar um apagão em toda a região “em meia hora”.

A guerra já custou ao Pentágono 11,3 bilhões de dólares apenas nos primeiros seis dias — cerca de 891 milhões por dia. Só em munições foram gastos 5,6 bilhões no primeiro fim de semana.

Com o petróleo em alta, a Rússia ganha um extra de cerca de 150 milhões de dólares por dia.

No Irã, 3,2 milhões de pessoas foram deslocadas. Em Beirute, cerca de 800 mil. A guerra já matou 2 mil pessoas, a maioria no Irã, incluindo 600 no Líbano.

Israel advertiu o governo libanês de que ampliará a guerra se o Hezbollah continuar disparando foguetes. A expansão, porém, se refere ao sul do Líbano — não à capital.

Hoje, moradores ao sul do rio Zahrani receberam ordens para evacuar para o norte. É o avanço por terra de soldados e tanques israelenses.

Na semana passada, ocorreu o mesmo nas proximidades do rio Litani, que marcava o limite da presença do Hezbollah até a fronteira israelense, segundo o acordo de cessar-fogo de novembro passado.

O cenário traçado por um especialista israelense para o fim da guerra deixa o conflito em estado latente, sujeito a recaídas frequentes enquanto não houver um cessar-fogo permanente, uma mudança de regime em Teerã e o resgate de cerca de 450 quilos de urânio enriquecido a 60%, enterrados em uma das usinas nucleares bombardeadas no ano passado.

Se os iranianos recuperarem esse material e o levarem a 90%, poderão fabricar até dez pequenas bombas atômicas.

A guerra começou no deserto — e já chegou à bomba de gasolina.