André Luiz Petraglia


André Luiz Petraglia*

Temos a impressão de que a felicidade mora ao lado. Tudo aquilo que pensamos estar errado em nossas vidas parece estar tão certo na vida dos outros, não é? Mas, por qual motivo isso ocorre? Vejamos: quando dou uma topada com o dedão do meu pé no “dedão do pé da cama” eu sinto uma dor tremenda. Nesse momento parece que, no mundo todo, ninguém é capaz de estar sentindo uma dor maior do que a minha.

Mas, sim, acredite, em todos os cantos do mundo há sofrimento, em menor ou maior grau do que o nosso. Nossos desejos de consumo são também os mesmos desejos de boa parte dos habitantes deste planeta. Nossa luta pela sobrevivência, nossas dificuldades financeiras, de relacionamento ou aquela insônia constante, também estão nos pacotes de muitas vidinhas ao redor do globo.

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Muitas vezes olhamos para a casa ao lado e consideramos o gramado do vizinho mais verde, mais viçoso, digno até de um clássico do futebol. Vemos carros novos circulando pelas ruas, pessoas com sacolas de compras passeando pelo shopping e todo aquele glamour escancarado nas redes sociais, todos esfregando seus lindos, verdes e maravilhosos gramados em nossas tristes caras de fracassados, que julgamos ser. Ah, pobre de mim! Pobre de mim, sim.

Não por não ter tudo o que gostaria, mas, porque vivo a ilusão de que preciso de tudo aquilo para viver e ser feliz. Pode ser que, realmente, algumas vidas sejam melhores do que as nossas, assim como, com absoluta certeza, muitas outras são muito mais árduas, duras e sofridas. Então, a lição que devemos aprender é simples: nunca nos compararmos com ninguém, pois sempre haverá alguém em condições acima ou abaixo das nossas. Importante termos essa consciência e agirmos com imensa gratidão por sermos quem somos e estarmos onde estamos, pois esta é a nossa missão.

Façamos um teste muito simples e rápido: pensemos agora se temos um teto sobre nossas cabeças, se tomamos um bom café da manhã e faremos ao menos mais duas refeições ao longo do dia. Pensemos se ainda teremos umas guloseimas para beliscar nos intervalos. Será que temos um chuveiro morno, uma cama limpa e confortável e algumas roupas para passar a semana? E pessoas que se importam com a gente, sim ou não?

Correndo o risco de parecer simplista, posso afirmar que se sua resposta foi “sim” para as básicas questões acima, você tem grandes chances de ser uma pessoa muuuuito feliz. Então, caro amigo e cara amiga, levante essa sua cabecinha de melão, olhe para o horizonte e contemple o nascer e o pôr do sol, agradecendo ao Nosso Criador por todas as dádivas e dúvidas, facilidades e dificuldades, pelos dias de sol ou de chuva, pois viver é exatamente isso, contemplar e valorizar nosso gramado, ora viçoso, ora ressecado, mas sem deixar de cuidar, regando e aparando tudo o que nele for excesso.


*André Luiz Petraglia é escritor, palestrante e consultor de comunicação e design.