A Polícia Federal (PF) encontrou no telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro evidências de uma estratégia digital para conter a crise de imagem do Banco Master. Fotos de diálogos extraídas do aparelho revelam negociações com a agência Spark, especializada em marketing de influência, para contratar perfis que fizessem publicações favoráveis à instituição no momento em que o mercado começava a questionar sua solidez financeira.
O caso, ao qual o Estadãoteve acesso com exclusividade, amplia o cerco sobre as táticas de comunicação de Vorcaro. Esta é a segunda agência citada em tratativas similares. A investigação busca apurar se o banqueiro e seus aliados montaram uma rede de influência para atacar autoridades do Banco Central (BC) no final de 2025, após sua prisão, com o objetivo de criar um clima favorável à anulação da liquidação do banco.
Ataques coordenados
Até o momento, as autoridades focavam na agência Mithi, vinculada ao empresário Thiago Miranda. Na semana passada, revelou-se que o jornalista especializado em celebridades, Léo Dias, recebeu 9,9 milhões de reais do Master. Para a Polícia Federal, os ataques recentes contra o Banco Central seguem o mesmo modus operandi adotado por Vorcaro antes da queda definitiva da instituição.
Vorcaro, que está preso desde o dia 4 de março, encontra-se atualmente em processo de negociação para um acordo de delação premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O novo material encontrado pela perícia reforça a tese de que o banqueiro tinha conhecimento direto ou gerenciava a contratação desses porta-vozes digitais.
O papel dos influenciadores
As conversas recuperadas datam do final de 2024. Em uma das mensagens, uma diretora da agência Spark apresenta uma proposta estruturada: “Segmento: Instituição bancária / investimentos / Banco Master. Rede: Instagram. Escopo: Reels + combo de stories + direito de repost”. O nome sugerido para a campanha era o de Renoir Vieira, um influenciador focado no mercado de capitais.
Meses depois, em abril de 2025, Vieira publicou um vídeo defendendo a polêmica compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), afirmando que a transação era positiva para os investidores. Naquela época, o mercado privado já havia descartado a compra devido aos graves problemas de liquidez do Master.
Respostas e ética profissional
Procurado pela reportagem, Renoir Vieira confirmou ter recebido a proposta em outubro de 2024, mas negou ter aceitado qualquer pagamento. “Não fiz nenhuma publicação paga. Dou minha opinião sobre o mercado, e posso estar certo ou errado”, afirmou, reiterando que seus comentários sobre o BRB foram baseados em sua análise pessoal do cenário financeiro.
Por sua vez, a agência Spark confirmou a existência da negociação, mas declarou que o projeto foi abortado pela própria diretoria da empresa. Segundo a nota oficial, a proposta de “endossar a solidez do produto por meio de perfis com autoridade” foi considerada “eticamente incompatível” com os critérios que regem a agência há 11 anos.





