O deputado estadual Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) nesta sexta-feira, em uma votação marcada pelo boicote da oposição e que abre uma nova frente jurídica na crise sucessória do estado. Logo após conquistar 44 dos 70 votos, Ruas iniciou uma ofensiva legal para desalojar o desembargador Ricardo Couto do Palácio Guanabara e assumir o comando interino do Executivo fluminense.
A estratégia do PL consiste em peticionar ao Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima segunda-feira. O partido argumentará que, com a eleição de um presidente definitivo para o Legislativo, encerra-se a justificativa para a permanência de Couto, que preside o Tribunal de Justiça estadual e ocupa o cargo desde a saída de Cláudio Castro (PL) e a vacância do posto de vice-governador.
“É óbvio que as Constituições Federal e Estadual estabelecem que o presidente do Legislativo é o segundo na linha sucessória”, afirmou Ruas em seu primeiro pronunciamento. Até então, a linha sucessória estava interrompida porque a Alerj era presidida interinamente por Guilherme Delaroli (PL), após a perda de mandato de Rodrigo Bacellar.
A disputa, no entanto, permanece sob o crivo dos ministros em Brasília. O julgamento no STF sobre como deve ocorrer a sucessão — se por eleição direta ou indireta realizada pela própria Alerj — está paralisado por um pedido de vista do ministro Flávio Dino. O placar atual é de 4 a 1 a favor da eleição indireta, mas uma liminar do ministro Cristiano Zanin mantém o Judiciário no comando até o veredito final.
O cenário político é de fragmentação. O bloco aliado ao prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), retirou-se do plenário em protesto contra a manutenção do voto aberto. Ao todo, 25 parlamentares de legendas como PSD, PT e PSOL boicotaram a sessão. O PDT anunciou que irá ao STF pedir a anulação do pleito, alegando que a falta de voto secreto expõe deputados a pressões externas do crime organizado.
Enquanto aguarda a publicação do acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a condenação de Cláudio Castro por abuso de poder — passo necessário para que Dino devolva o processo ao plenário do STF —, Ruas já adota o tom de governador. Ele se reuniu com o atual interino, Ricardo Couto, e indicou que manterá a revisão das contas públicas, classificando o momento como o “grande desafio” do estado.





