O coronel José Augusto Coutinho, que havia assumido o Comando Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo em 27/4/2025. (Reprodução)


Um depoimento prestado à Corregedoria da Polícia Militar por um sargento preso sob acusação de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) colocou o ex-comandante-geral da corporação, coronel José Augusto Coutinho, no centro de uma investigação sobre a infiltração da facção na polícia paulista.

O inquérito apura a conduta de agentes que faziam a escolta de diretores da Transwolff, empresa de ônibus investigada por lavagem de dinheiro para o grupo criminoso. Coutinho deixou o comando da PM na última quinta-feira (16), a pedido, um dia antes de o teor do depoimento vir a público.

Segundo o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, preso em fevereiro, o então comandante da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) teria tentado dissuadi-lo de deixar a tropa de elite em setembro de 2020.

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No relato, obtido pelo jornal O Globo, o sargento afirma ter dito a Coutinho que realizava segurança privada (o “bico”, prática proibida pelo regulamento interno) para pessoas ligadas ao crime.

De acordo com o depoimento, o coronel teria minimizado a irregularidade e afirmado que familiares também faziam serviços extrateto para complementar a renda. O oficial teria dito ao sargento: “A gente sabe que as coisas estão difíceis. Porém, pelo que está aqui, tem bandido fazendo bico lá”.

Fuga e Vazamento

Autoridades acompanham também a suspeita de que informações sigilosas tenham sido vendidas ao PCC durante a Operação Sharks, em 2020, quando Coutinho chefiava a Rota. Na ocasião, Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, apontado como líder da facção nas ruas, fugiu antes da chegada dos policiais.

Um áudio atribuído ao criminoso menciona que “o pessoal da R [Rota]” teria salvado sua vida. A investigação apura se houve pagamento de R$ 5 milhões em troca do vazamento.

Outro Lado

Em nota, a defesa de José Augusto Coutinho afirmou que o oficial possui “reputação ilibada” e 34 anos de carreira sem registros de irregularidades. O texto diz ainda que o coronel não teve acesso aos autos da investigação.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) negou que a ida de Coutinho para a reserva tenha relação com as investigações. “Ele pediu [para sair], mas não por causa disso. É absolutamente inconsistente. Ele não tem nada a ver com esse negócio”, afirmou o governador.

A Secretaria de Segurança Pública e a Corregedoria informaram que as apurações seguem em sigilo e sob rigor técnico.