A mineradora norte-americana USA Rare Earth anunciou a compra da brasileira Serra Verde, única produtora de terras raras em operação no país, em um negócio avaliado em US$ 2,8 bilhões (R$ 13,8 bilhões). A transação combina US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de 126,9 milhões de ações, com conclusão prevista para o terceiro trimestre de 2026.
As terras raras — um conjunto de 17 elementos químicos de difícil extração e refino — são insumos estratégicos para setores de alta tecnologia, como ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas de energia renovável e sistemas de defesa. Atualmente, a China concentra mais de 60% da produção mundial e domina quase todo o refino, o que gera preocupação em governos ocidentais.
Segundo comunicado da USA Rare Earth, a mina goiana deve responder por mais da metade do suprimento mundial de terras raras pesadas fora da China até 2027. O Brasil, que possui a segunda maior reserva global (21 milhões de toneladas), passa a ocupar posição estratégica na disputa internacional por minerais críticos.
“O objetivo das empresas desse setor é garantir toda a cadeia produtiva, do fornecimento ao processamento”, afirma Neal Dingmann, analista do banco William Blair. A companhia americana já havia adquirido a britânica LCM, especializada em ligas metálicas, e tornou-se sócia da processadora francesa Carester, consolidando etapas da produção.
Do ponto de vista jurídico, a operação é considerada regular. “Desde 1995, uma emenda constitucional permite que companhias estrangeiras explorem minérios brasileiros, desde que cumpram regras ambientais e de segurança e paguem a Cfem”, explica Leonardo Alves Corrêa, professor da Faculdade de Direito da UFMG.
Impacto geopolítico
A aquisição reforça a estratégia dos EUA de reduzir a dependência da China em insumos estratégicos. Com apoio financeiro de até US$ 1,6 bilhão prometido pelo governo americano, a USA Rare Earth se torna peça central na construção de uma cadeia de fornecimento doméstica.
Impacto econômico em Goiás
A expectativa é de geração de até 12 mil empregos diretos nos próximos dez anos, além de aumento da arrecadação estadual e atração de indústrias ligadas à mobilidade elétrica e à tecnologia limpa.
Desafios ambientais
A extração de terras raras envolve uso intensivo de químicos e pode gerar resíduos radioativos. Especialistas alertam para a necessidade de políticas públicas que evitem a simples exportação de minério bruto e assegurem valor agregado à produção nacional.





