Em entrevista concedida ao portal BBC News Brasil, o deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) oficializou seu rompimento com o clã Bolsonaro. Anteriormente um aliado fiel, o parlamentar agora defende que o ex-presidente e seus filhos se afastem da política fluminense, alegando que as indicações do grupo para o governo do Estado foram desastrosas. “Seria digno a família Bolsonaro não se meter mais nas eleições do Rio, porque eles só apresentam ladrão”, disparou.
Otoni, que é pastor evangélico, descreveu o Rio de Janeiro como um “narcoestado” onde o crime organizado e as milícias se confundem com a máquina pública. Ele responsabilizou o senador Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro por apoiarem gestões que terminaram em escândalos, como as de Wilson Witzel e Cláudio Castro. Segundo o deputado, o Estado vive uma “imoralidade política” que exige um choque de gestão técnica.
Apesar de se manter no campo da direita, Otoni justificou seu apoio ao prefeito Eduardo Paes (PSD) como uma medida pragmática para retirar o Rio da insolvência fiscal e do domínio de grupos criminosos. O parlamentar também utilizou o espaço para criticar a postura de lideranças religiosas que ignoram a violência contra a mulher, defendendo que a igreja deve ser um instrumento de combate ao machismo e à cultura do estupro.
Procurados pela reportagem original, Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro não comentaram as acusações. Wilson Witzel e a defesa de Rodrigo Bacellar negaram as declarações de Otoni, classificando-as como traição e calúnia.





