Negociadores de Israel e do Líbano devem se reunir nesta quinta-feira (23) na capital americana para tentar consolidar um caminho diplomático, em um momento em que a instabilidade no sul do Líbano e repetidas violações de cessar-fogo ameaçam levar a região de volta ao conflito total.
O encontro ocorre sob intensa pressão internacional e troca de retórica agressiva. Na véspera das conversas, o governo israelense exigiu que Beirute tome medidas diretas contra o Hezbollah, o grupo militante e partido político apoiado pelo Irã que mantém um Estado paralelo no território libanês.
“Apelo ao governo libanês: vamos trabalhar juntos contra o Estado terrorista que o Hezbollah construiu em seu território”, disse o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, durante uma cerimônia diplomática que marcou o 78º aniversário da independência de Israel.
Extensão da trégua em jogo
Do lado libanês, a prioridade é evitar o colapso do acordo atual, que expira no próximo domingo. Segundo uma autoridade libanesa familiarizada com os preparativos, Beirute planeja solicitar formalmente aos mediadores dos EUA uma prorrogação de 30 dias no cessar-fogo.
O Líbano também deve exigir a suspensão imediata das operações de demolição israelenses em áreas fronteiriças. No entanto, a viabilidade da trégua é questionada: nesta quarta-feira, ataques aéreos israelenses mataram três pessoas no Líbano. Autoridades em Beirute afirmam que o cumprimento estrito dos termos é a única base para o progresso em Washington.
Baixas francesas aumentam tensão
A urgência diplomática é acentuada pela morte de soldados da paz da ONU. A França confirmou a morte de um segundo militar da UNIFIL (Força Interina das Nações Unidas no Líbano). O cabo Anicet Girardin morreu em decorrência de ferimentos sofridos em uma emboscada no último sábado, que também vitimou o suboficial Florian Montorio.
Embora o Hezbollah negue envolvimento, as autoridades francesas e as Nações Unidas atribuíram o ataque ao grupo. O presidente francês, Emmanuel Macron, homenageou os militares, observando que eles foram alvejados no cumprimento de sua missão de proteção civil. Este é o terceiro soldado francês morto desde que a violência regional escalou em 28 de fevereiro, após uma série de ataques e represálias envolvendo Israel, os EUA e o Irã.
O custo humano da guerra
Enquanto os diplomatas se reúnem, os dados sobre a destruição no Líbano revelam a escala do conflito. O Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano informou que:
- 21.700 residências foram totalmente destruídas.
- 40.500 casas sofreram danos significativos.
- A devastação ocorreu em um período de apenas seis semanas de combate intenso.
Em Paris, Macron recebeu o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, apelando para que Israel renuncie a qualquer “ambição territorial” no Líbano. “É necessário dar tempo às negociações”, afirmou o líder francês, classificando a trégua atual como “frágil”.
Brasil
O Brasil, que possui uma das maiores comunidades de ascendência libanesa do mundo, também instou as partes a respeitarem a soberania do Líbano. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro defendeu o cumprimento integral da Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, exigindo a retirada das forças israelenses do sul do país e a cessação permanente das hostilidades.
As negociações em Washington, mediadas pela administração americana, são vistas por analistas como a última janela de oportunidade para evitar que o conflito se transforme em uma ocupação prolongada ou em uma guerra regional de exaustão.





