O empresário ítalo-americano Paolo Zampolli, conselheiro próximo de Donald Trump, provocou forte repercussão internacional ao conceder entrevista à emissora italiana RAI, na qual atacou sua ex-mulher, a modelo brasileira Amanda Ungaro, e generalizou ofensas contra mulheres brasileiras.
Durante a entrevista, Zampolli afirmou que “mulheres brasileiras são programadas para causar confusão”, chamando-as de “putas” e “raça maldita”. As declarações foram feitas em referência direta à sua ex-esposa, com quem foi casado por quase duas décadas e tem um filho de 15 anos.
Zampolli conheceu Amanda Ungaro em Nova York em 2002 e casou-se em 2003. Amanda acusa o empresário de violência doméstica e abuso sexual, apresentando fotos de agressões. Ele nega. Em outubro de 2025, Amanda foi deportada dos Estados Unidos após prisão por fraude.
Reportagens indicam que Zampolli teria influenciado autoridades do ICE para acelerar o processo, embora ele negue. O casal trava disputa judicial pela guarda do filho.
Repercussão
As declarações provocaram indignação imediata no Brasil e no exterior. Nas redes sociais, usuários denunciaram o caráter misógino e xenófobo das falas. Organizações de defesa dos direitos das mulheres classificaram as afirmações como inaceitáveis e exigiram posicionamento oficial da Casa Branca. Até o momento, nem Zampolli nem o governo Trump se pronunciaram.
Histórico de polêmicas
Zampolli é conhecido por sua ligação antiga com Donald Trump e por ter apresentado Melania Knauss ao atual presidente nos anos 1990. Sua trajetória empresarial e política já foi marcada por controvérsias, mas os ataques às brasileiras ampliaram a pressão internacional.
A entrevista à RAI expôs não apenas uma disputa pessoal, mas também um discurso que reforça estereótipos e preconceitos contra mulheres brasileiras. O episódio reacendeu debates sobre misoginia, xenofobia e o uso de influência política em questões privadas, colocando Zampolli no centro de uma crise de imagem global.
Quem é Paolo Zampolli
Ao longo dos anos, Zampolli construiu sua influência na interseção entre moda, mercado imobiliário, relações internacionais e trumpismo.
O nome de Zampolli, milanês radicado em Nova York, era desconhecido da maioria, mas de repente ganhou destaque por ter proposto substituir o Irã pela Itália na próxima Copa do Mundo de futebol, da qual a seleção italiana foi excluída após a derrota nos playoffs contra a Bósnia.
Ex-agente de modelos, hoje é enviado especial da administração Trump. A agência de notícias Reuters o identifica como “U.S. special envoy” e o Financial Times o cita pela proposta de “repescagem” feita a Trump e à Fifa.
Sua biografia pública começa na Nova York dos anos 1990. Um perfil do New York Times o descreve como o homem que trouxe Melania para os Estados Unidos, ajudou-a a obter o visto e a apresentou a Donald Trump em uma festa em 1998 no Kit Kat Club.
O jornal também o retrata como um incansável construtor de relações, capaz de transitar com desenvoltura entre o círculo de Trump, o de Bill Clinton e a alta sociedade nova-iorquina.
Segundo a Associated Press, ele esteve no centro da complicada questão do visto de Melania Trump. Em 2016, Zampolli declarou ter pessoalmente cuidado da obtenção do visto H-1B da futura primeira-dama, sustentando que ela não havia realizado trabalho remunerado antes da autorização.
Seu nome voltou à tona quando confirmou a autenticidade da documentação contratual da ex-modelo eslovena, embora dissesse não se lembrar se ela havia trabalhado sem autorização nas semanas anteriores à concessão do visto.
Depois veio a guinada diplomática: em 2017 tornou-se embaixador da República Dominicana na ONU “por nomeação e não por nacionalidade”, já atuando também em temas ligados aos oceanos e à sustentabilidade.
Homem de negócios, figura mundana, promotor de causas ambientais e, sobretudo, amigo de longa data de Trump com acesso aos lugares de poder, o que mais chama atenção, porém, é o método.
Segundo o Financial Times, Zampolli tornou-se um dos “facilitadores” da diplomacia transacional trumpiana, a ponto de associar seu nome ao slogan “20 bilhões em 20 minutos”, fórmula que resume sua ideia de mediação rápida entre líderes políticos, grandes empresas e interesses estratégicos.
A Reuters o coloca dentro dessa rede informal, mas influente, que gravita em torno do presidente americano, com o perfil de um mediador atípico: um facilitador de relações que transformou contatos pessoais, vida social e acesso político em uma alavanca de poder, figura lateral mas recorrente nas histórias que conectam negócios, imagem e política internacional.




