O Senado realizou nesta sexta-feira, 24, uma sessão especial para celebrar o aniversário de Brasília. A cidade completou 66 anos na terça-feira, 21. A sessão foi marcada por discursos sobre a memória da capital federal e também por cobranças sobre a crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB), que precisa encontrar uma solução para cobrir perdas com a compra de créditos podres do Banco Master.

Senadores da bancada do Distrito Federal usaram a data para cobrar responsabilização pelo escândalo financeiro. Autora do requerimento que originou a sessão, a senadora Leila Barros (PDT-DF) cobrou a punição dos responsáveis pelo envolvimento do BRB com o Banco Master, atribuindo a situação a decisões tomadas por interesse pessoal.

“Quando uma instituição como o BRB é colocada sob questionamento, quem sofre é a cidade. Quem sofre são os mais vulneráveis”, afirmou a senadora.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que Brasília vive uma crise grave e que os três senadores do DF seguirão buscando respostas por meio de CPIs, comissões e requerimentos de informações.

Continua depois da publicidade

Damares reconheceu que os últimos dois anos foram especialmente difíceis para quem representa o Distrito Federal no Senado. Ela afirmou que os parlamentares enfrentam “uma luta diária por verbas públicas e pela defesa do fundo constitucional”.

O senador Izalci Lucas (PL-DF), que pretende concorrer ao governo distrital nas eleições deste ano, alertou que o escândalo financeiro em curso vai dificultar ainda mais a já complexa relação do DF com o governo federal e o Congresso em torno da autonomia da unidade federativa.

Para corrigir o que chama de distorção da Constituição de 88, disse ter apresentado uma PEC que transfere ao DF os recursos para manter e organizar áreas como polícia civil, militar, bombeiros e educação, sem depender de autorização federal para reajustes salariais ou concursos.

“Vai ser muito difícil, depois desse escândalo todo que está acontecendo, não receber críticas dos Estados e municípios”, diz o senador.

O BRB passa por uma crise após ter comprado R$ 12,2 bilhões em carteiras de créditos do Master, que depois o Banco Central identificou que não tinham lastro. Conforme o Estadão revelou, o governo distrital começou o ano sem dinheiro em caixa para pagar despesas do ano anterior e enfrenta um aumento crescente de gastos e endividamento.

Em março deste ano, o hoje ex-governador do DF Ibaneis Rocha (MDB) pediu um empréstimo de R$ 4 bilhões ao FGC para fazer um aporte no BRB e cobrir os prejuízos. Ibaneis ofereceu imóveis do Distrito Federal e ações de empresas como garantia para o empréstimo.

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, após a Polícia Federal investigar as fraudes da instituição, incluindo suspeita de manipulação de balanços e operações financeiras irregulares envolvendo outras instituições, dentre elas, o BRB. O banqueiro voltou a ser preso no mês passado.

Em março de 2025, o governo do DF chegou a fazer uma oferta para tentar comprar o Master. O Banco Central, contudo, reprovou o negócio em setembro, depois de se debruçar sobre o balanço dos dois bancos e encontrar indícios de crimes financeiros, com a descoberta das carteiras podres vendidas ao BRB pelo Master.

Assim, o Distrito Federal entrou no centro do escândalo, sob a suspeita de que o BRB estava ciente de que estava adquirindo “ativos podres”, sugerindo uma possível participação no esquema.

Durante a sessão, além dos discursos em prol da resolução da crise, parlamentares e personalidades também destacaram a história de Brasília, construída por brasileiros de todas as regiões e inaugurada em 1960 sob o comando de Juscelino Kubitschek.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.