Portugal comemorou neste sábado (25) os 52 anos da Revolução dos Cravos, que pôs fim a mais de quatro décadas de ditadura, com uma sessão solene na Assembleia da República e um desfile pelas ruas de Lisboa.
No seu primeiro discurso oficial sobre a data como presidente, António José Seguro afirmou que o 25 de Abril de 1974 representou um “nascimento coletivo” e advertiu que a democracia pode ser corroída por argumentos aparentemente inofensivos ou por algoritmos. Ele pediu aos jovens que não sejam espectadores, mas protagonistas da vida política, defendendo direitos fundamentais sempre que forem ameaçados. “Ou defendemos com coragem ou arriscamos a perdê-la com silêncio”, disse, lembrando que tinha 12 anos na época da revolução e que só pôde chegar à presidência porque aquele dia existiu.
A Associação 25 de Abril também marcou presença nas celebrações, pedindo “silêncio às armas” e o fim dos conflitos em um mundo que classificou como “altamente conturbado”. Em mensagem lida por seu presidente, Vasco Lourenço, a entidade afirmou que “as guerras nunca são solução” e alertou para a fragilidade da memória dos povos diante da demagogia e da mentira.
A Revolução dos Cravos, lembrada pelo gesto simbólico de civis que colocaram flores nos canos das armas dos soldados, permanece como marco da transição pacífica para a democracia em Portugal e da descolonização das colônias africanas.
Além da sessão parlamentar, o tradicional desfile na Avenida da Liberdade reuniu cidadãos e artistas. A atriz Maria de Medeiros recordou, em entrevista, a emoção vivida por sua família no dia da revolução. “Lembro-me de ver meus pais literalmente aos saltos de alegria na sala do nosso apartamento”, disse. Em 2000, ela dirigiu o filme Capitães de Abril, que retrata a história do movimento.
As celebrações deste ano, marcadas por discursos sobre paz e democracia, reforçaram a atualidade dos ideais de 1974 em um cenário internacional de guerras e tensões políticas. O tom dos eventos deixou claro que, para Portugal, a memória da revolução não é apenas histórica, mas um chamado permanente à defesa da liberdade.





