Registro de ataque em cidade do Sul Libanês neste domingo. (Foto: Reprodução)


O governo de Benjamin Netanyahu alega violações sistemáticas por parte do Hezbollah, enquanto ordens de retirada em sete aldeias sinalizam o momento mais crítico desde o pacto de 17 de abril

O Exército de Israel lançou uma nova onda de ataques aéreos no sul do Líbano neste domingo, intensificando as pressões sobre uma trégua de nove dias que já se mostrava precária. A ofensiva ocorreu pouco depois de os militares israelenses emitirem ordens de evacuação em massa para sete localidades, alegando que o Hezbollah violou sistematicamente os termos do acordo de cessar-fogo.

Os ataques atingiram a aldeia de Kfar Tibnit, segundo a agência de notícias estatal do Líbano, a NNA. Embora a agência tenha relatado a existência de vítimas, detalhes sobre a gravidade dos ferimentos ou o número de mortos não foram imediatamente confirmados.

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Ordens de Retirada Urgente

As manobras militares deste domingo foram precedidas por um aviso incomumente urgente publicado em árabe nas redes sociais pelo contra-almirante Daniel Hagari, porta-voz das Forças de Defesa de Israel (FDI). O comando militar ordenou que os residentes de Mifdoun, Shaqra, Yahmar al-Shaqif, Arnoun, Zawtar El-Charkiyeh, Zawtar El-Gharbiyeh e Kfar Tibnit abandonassem suas casas imediatamente.

A ordem instruía os civis a se deslocarem para áreas a pelo menos um quilômetro de distância das zonas designadas, citando “atividades terroristas” que colocariam a população em risco.

A Justificativa de Israel

O governo israelense defende que suas ações não representam uma ruptura do acordo de 17 de abril, mas sim uma resposta necessária para preservá-lo. Sob os termos da trégua mediada internacionalmente, Israel mantém o que descreve como o “direito de resposta” contra ameaças iminentes ou infraestrutura militar que o Hezbollah tente restabelecer no sul do Líbano.

“O Hezbollah está desmantelando efetivamente o cessar-fogo”, disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante uma mensagem de vídeo gravada para sua reunião semanal de gabinete em Jerusalém. “Não ficaremos de braços cruzados enquanto o acordo é minado. Israel fará o que for necessário para restabelecer a segurança em nossa fronteira norte.”

Um Cessar-Fogo sob Pressão

A retomada das hostilidades ressalta a dificuldade de monitorar a zona de fronteira, onde o Hezbollah — o grupo militante apoiado pelo Irã — mantém uma presença histórica profunda. Analistas alertam que o ciclo de “violação e resposta” pode rapidamente evoluir para um conflito de escala total, invalidando os esforços diplomáticos que levaram semanas para serem costurados.

Até o fechamento desta edição, o Hezbollah não havia emitido um comunicado oficial sobre as acusações de Israel, embora o grupo tenha anteriormente acusado as forças israelenses de violarem o espaço aéreo libanês em diversas ocasiões desde o início da trégua.

A situação no sul do Líbano permanece volátil, com milhares de civis mais uma vez deslocados, enfrentando a incerteza de um acordo que prometia paz, mas que, na prática, parece cada vez mais suspenso por um fio.