O avanço das apostas eletrônicas comprometeu a renda de milhares de famílias brasileiras e drenou R$ 143 bilhões do comércio varejista entre janeiro de 2023 e março de 2026 — valor equivalente às vendas de dois períodos de Natal. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o gasto mensal com bets superou R$ 30 bilhões e pode ter levado 270 mil famílias à inadimplência severa, marcada por atrasos de 90 dias ou mais.
Impacto no consumo
A CNC afirma que as apostas não representam apenas entretenimento, mas um risco sistêmico para a saúde financeira das famílias. O economista-chefe da entidade, Fabio Bentes, alerta que, diante do aperto, gastos essenciais podem ser sacrificados. “Podem deixar de trocar de celular ou comprar uma peça de vestuário por causa do agravamento da dívida”, exemplificou.
Perfil dos mais afetados
Segundo a análise, homens, famílias de baixa renda (até 5 salários mínimos), pessoas acima de 35 anos e com maior escolaridade são os mais vulneráveis. Mesmo famílias de renda superior desviam recursos para as bets e deixam de honrar compromissos.
Defesa de regulação
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, defende políticas públicas regulatórias e proteção ao consumidor. “O impacto já deixou de ser pontual e se tornou macroeconômico. Precisamos discutir os limites desse mercado, especialmente na publicidade e na proteção das famílias brasileiras”, afirmou.
Contestação do setor
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que representa as plataformas de apostas, notificou a CNC pedindo transparência metodológica e acesso integral aos dados. Para o instituto, as conclusões são “alarmistas” e contrariam métricas oficiais. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) também contestou os números, alegando que o estudo desconsidera a natureza multifatorial do endividamento.





