Moisés Rabinovici
Inovador em armamentos, Israel está pedindo ajuda para “identificar tecnologias” capazes de neutralizar drones que usam cabos ultrafinos de fibra ótica — imunes à interferência, bloqueio ou falsificação de sinal
O Ministério da Defesa publicou, neste mês, um edital em busca de soluções contra os drones First Person View (FPV, visão em primeira pessoa).
Baratos — entre 300 e 500 dólares —, são montados com componentes acessíveis e peças produzidas em impressoras 3D. Podem transportar RPGs (lançadores de granadas antitanque) ou diferentes tipos de explosivos, conforme o alvo.
O alcance é um dos seus principais trunfos. Um quilômetro de cabo de fibra ótica custa cerca de 30 dólares (150 reais), e os drones costumam operar a distâncias de 15 a 20 quilômetros. Como o comando é transmitido por um meio físico, e não por rádio, tornam-se praticamente imunes à interceptação eletrônica.
Criados e amplamente usados na guerra da Ucrânia desde 2024, por ambos os lados, esses drones ainda desafiam as defesas. “A menos que você tenha sorte, ou que o operador cometa um erro, a única maneira confiável de combatê-los é abatê-los a tiros”, disse o analista militar Jakub Janovsky ao jornal Yedioth Ahronot.
Um dos sistemas em teste tenta cortar o cabo com uma espécie de lança — como se “pescasse” o fio no ar.
A fibra ótica permite transmissão de vídeo em tempo real mesmo em ambientes saturados de radiofrequência. Alguns modelos usam bobinas que estendem ou recolhem o cabo durante o voo. Se o drone se aproxima de obstáculos, como árvores, o operador pode corrigir a rota para evitar que o fio se enrosque.
As Forças de Defesa de Israel não estavam preparadas para esse tipo de arma, hoje uma das mais usadas pelo Hezbollah no Líbano. No domingo, seis soldados foram feridos e um morreu, atingidos por explosões guiadas remotamente, sem defesa eficaz.





