A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira (30) a operação “Descredenciamento”, que investiga um esquema de fraude em clínicas voltadas ao atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Segundo os investigadores, os estabelecimentos simulavam terapias, produziam laudos médicos falsos e ingressavam com ações judiciais para obrigar operadoras de planos de saúde a custear procedimentos inexistentes ou superfaturados.
De acordo com a 2ª Delegacia de Investigações sobre Crimes de Estelionato e contra a Fé Pública, os valores cobrados eram expressivos.
Em alguns casos, chegavam a R$ 50 mil por mês por paciente. Em outros, os criminosos exigiam até oito horas diárias de tratamento, com custos superiores a R$ 200 mil mensais.
A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) estima que o prejuízo total possa atingir R$ 60 milhões. Apenas em uma das clínicas investigadas, as fraudes somaram R$ 17 milhões.
A Justiça autorizou o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão na capital paulista e em cidades da Região Metropolitana.
“Estamos diante de um esquema sofisticado, que se utilizava da sensibilidade do tema para obter ganhos ilícitos”, afirmou um delegado responsável pela operação.
Os investigadores destacam que o grupo se aproveitava da dificuldade das operadoras em contestar judicialmente os pedidos, já que envolviam crianças diagnosticadas com TEA. A estratégia incluía a apresentação de laudos médicos falsificados e a pressão por meio de ações judiciais, o que tornava a fraude mais difícil de ser identificada.
A operação segue em andamento, e a Polícia Civil não descarta novas diligências para ampliar o alcance das investigações.





