Moisés Rabinovici
Israel elevou seu estado de alerta e iniciou preparativos para reiniciar a guerra com o Irã, depois que o presidente Donald Trump convocou o chefe do Comando Central dos EUA, almirante Brad Cooper, para apresentar novas opções militares diante do impasse nas negociações mediadas pelo Paquistão.
O Canal 12 da TV israelense antecipou que um novo ataque ao Irã poderá ser lançado no começo da próxima semana, com o colapso do cessar-fogo e o fracasso da diplomacia. “Os EUA vão dar um empurrão para pressionar a abertura do Estreito de Ormuz”, informou.
O Irã não reagiu diretamente à nova ameaça militar. O chanceler Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento, Mohammad-Bagher Ghalibaf, comemoraram o Dia do Golfo Pérsico, que marca a expulsão dos colonizadores europeus. A data foi marcada também pela forte alta do petróleo, que alcançou 126 dólares o barril.
Araghchi postou no X uma foto do presidente Trump renomeando Ormuz como “Estreito Trump”. E acrescentou: “Erro terrível”.
Ao líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, foi atribuída uma mensagem segundo a qual Teerã “vai eliminar os abusos na navegação” pelo Golfo Pérsico.
“O gerenciamento do Estreito de Ormuz trará calma, progresso e benefícios econômicos a todas as nações do Golfo”, acrescentou.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian também comemorou o Dia do Golfo Pérsico com uma declaração no X: “O mundo testemunhou a tolerância e a conciliação do Irã. O que está sendo feito sob o pretexto de um bloqueio naval é uma extensão das operações militares contra uma nação que paga o preço por sua resistência e independência. A continuidade dessa abordagem opressiva é intolerável.”
No front libanês, Israel e Hezbollah continuaram se enfrentando em meio ao cessar-fogo proclamado em 17 de abril, mas não cumprido sequer por um dia. Drones guiados por cabo de fibra ótica mataram um soldado israelense e feriram outros doze, incendiando um blindado carregado de munições, que explodiram.
O Ministério da Saúde em Beirute divulgou nota na qual diz que “o inimigo israelense matou nove mártires, entre eles duas crianças e cinco mulheres, ferindo outros 23, entre eles oito crianças e sete mulheres”.
O presidente Joseph Aoun acusou as tropas israelenses de prosseguir com as violações do cessar-fogo: “É preciso pressionar Israel para garantir que respeite as leis e convenções internacionais e cesse os ataques contra civis, paramédicos, defesa civil e organizações humanitárias de saúde e assistência.”
No final do dia, Israel pediu que os habitantes de 23 cidades do sul do Líbano deixassem suas casas, porque iniciaria uma nova ofensiva contra o Hezbollah na região.




