O Exército de Israel confirmou a interceptação de uma flotilha composta por 20 embarcações que se dirigia à Faixa de Gaza com ajuda humanitária.
Segundo as autoridades militares israelenses, cerca de 211 ativistas foram detidos em águas internacionais ao largo da costa europeia, incluindo dois cidadãos brasileiros. A operação interrompeu a trajetória da “Global Sumud Flotilla”, que partira nos últimos dias de portos em Marselha (França), Barcelona (Espanha) e Siracusa (Itália).
A organização do grupo confirmou que os brasileiros detidos são Mandi Coelho, estudante da Universidade de São Paulo (USP) e militante do PSTU, e o ambientalista Thiago Ávila. Outros cinco brasileiros — a advogada Ariadne Telles, a militante Beatriz Moreira, a comunicadora Lisi Proença, o petroleiro Leandro Lanfredi e o ativista Lucas Gusmão — estariam em barcos redirecionados para o sudoeste da ilha de Creta, na Grécia, devido a protocolos de segurança e dificuldades técnicas de comunicação.
Abordagem e tensão diplomática
De acordo com comunicados emitidos pela coordenação da flotilha e informações veiculadas pelo jornal francês Le Parisien, a frota foi cercada por navios militares e monitorada por drones antes da abordagem. Os organizadores relataram o uso de lasers e armamentos apontados contra as tripulações durante a ação. A Global Sumud Flotilla classificou a operação em águas internacionais como ilegal.
A situação gerou reações diplomáticas imediatas. O governo da Itália exigiu a “libertação imediata” de seus cidadãos retidos na operação. No Brasil, familiares e entidades de direitos humanos solicitaram a intervenção do Itamaraty para garantir a integridade física e a segurança jurídica dos ativistas.
O bloqueio e a crise humanitária
A tentativa de romper o bloqueio naval imposto por Israel não é inédita e ocorre em um cenário de extrema precariedade no enclave palestino. Desde o ataque do grupo islâmico Hamas em 7 de outubro de 2023 — que resultou na morte de 1.221 pessoas em solo israelense — a resposta militar e o controle territorial de Israel transformaram a realidade da região. Embora um cessar-fogo tenha sido implementado em outubro de 2025, o Exército israelense mantém o controle de cerca de metade da Faixa de Gaza.
As Nações Unidas e diversas organizações internacionais têm denunciado a restrição severa à entrada de suprimentos básicos, alertando para situações de fome generalizada. Dados das autoridades locais, validados pela ONU, indicam que mais de 72.500 palestinos morreram desde o início das hostilidades há dois anos. Mesmo sob a trégua vigente, incidentes armados persistem: desde a entrada em vigor do cessar-fogo, ataques atribuídos a Israel deixaram mais de 800 mortos, incluindo um comandante do Hamas e uma criança em operações recentes no último dia 28 de abril.





