Lula em coletiva após reunião com Donald Trump. (Foto: Reprodução)


Representantes do Brasil e dos Estados Unidos devem apresentar, no prazo de 30 dias, uma proposta de acordo destinada a evitar a imposição de novas tarifas de importação sobre produtos brasileiros. O compromisso foi firmado nesta sexta-feira durante reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca.

O encontro, que se estendeu por mais de três horas entre conversas no Salão Oval e um almoço de trabalho, foi marcado por um tom de cordialidade e trocas de elogios públicos. Em declaração na Embaixada do Brasil após a reunião, Lula confirmou que o objetivo inicial era a suspensão total das taxas extras. Diante da ausência de um consenso imediato, os líderes optaram por uma rodada de negociações técnicas para detalhar concessões recíprocas.

Geopolítica e Minerais Críticos

A pauta econômica foi dominada pela discussão sobre minerais críticos e terras raras, insumos fundamentais para a indústria de alta tecnologia e a transição energética mundial. Washington tem demonstrado interesse crescente nas reservas brasileiras como estratégia para reduzir a dependência de fornecedores chineses.

Continua depois da publicidade

Lula informou a Trump que o Congresso Nacional discute atualmente um marco regulatório para o setor. Segundo o presidente brasileiro, a medida visa assegurar a soberania nacional sobre esses recursos, ao mesmo tempo em que abre caminho para parcerias internacionais.

Segurança e Crime Organizado

No campo da segurança, os presidentes discutiram o combate ao crime organizado transnacional. No entanto, não houve avanço sobre a proposta americana de classificar facções criminosas como organizações terroristas. Lula defendeu que as estratégias de combate sejam debatidas de forma multilateral por todos os países das Américas, em vez de medidas unilaterais.

Questionado sobre o formato do encontro, Lula explicou que a decisão de manter a reunião fechada à imprensa, com declarações apenas ao final, visou garantir a fluidez do diálogo privado.

Saldo Diplomático

Apesar da inexistência de acordos assinados de imediato, Lula classificou o saldo da visita como positivo. A avaliação foi ecoada por Donald Trump, que utilizou suas redes sociais para descrever o encontro como “muito produtivo” e chamou o homólogo brasileiro de “dinâmico”.

Mais tarde, em breve contato com repórteres na Casa Branca, o líder americano reforçou os elogios, sinalizando uma reaproximação pragmática entre as duas maiores economias do continente.