Flávio Bolsonaro (Foto: EBC)


As revelações de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre a vida e a obra de Jair Bolsonaro provocaram uma onda de reações no Congresso e no governo nesta quarta-feira (13). Reportagem publicada pelo Intercept Brasil – e reproduzida na íntegra pelo Brasil Confidencial – mostrou áudios em que o parlamentar cobra parcelas atrasadas de Vorcaro, hoje preso por fraudes financeiras bilionárias. Segundo os documentos, já teriam sido repassados cerca de R$ 61 milhões, com negociações que poderiam chegar a R$ 134 milhões.

Na base governista, o tom foi de indignação. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, questionou a legalidade das transferências internacionais: “Esse recurso encaminhado lá nos EUA para o fundo que tem relação com o advogado de Eduardo Bolsonaro, passou pela Receita, teve cobrança tributária, foi declarado, é ilegal?” O deputado anunciou pedido de investigação à Receita Federal e à Polícia Federal.

PSOL e PCdoB também se mobilizaram para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Em nota conjunta, parlamentares afirmaram: “Vamos apresentar denúncia à PF e requerimento de CPI para apurar a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.” Nos bastidores, interlocutores do governo Lula avaliam que o episódio reforça a narrativa de vínculos obscuros entre o bolsonarismo e setores do sistema financeiro. Um assessor do Planalto resumiu: “É mais uma prova de que o projeto político da família Bolsonaro se sustenta em relações nada transparentes.”

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Outros partidos e presidenciáveis também se manifestaram. O partido Missão, por meio de seu pré-candidato Renan Santos, declarou: “Era muito óbvio que isso aconteceria. Qualquer pessoa que acompanha o noticiário político nos últimos sete anos sabe que Flávio Bolsonaro é envolvido em escândalos de corrupção.”

Romeu Zema (Novo) foi direto: “Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem.”

Já Ronaldo Caiado (PSD) afirmou: “Tudo que envolve Master e cifras milionárias precisa ser tratado com total transparência com a população.”

Do lado governista, ministros também se pronunciaram. José Guimarães (PT-CE), das Relações Institucionais, disse: “Todo mundo sabe que o episódio do Banco Master tem DNA, tem cara, tem cor: é a família Bolsonaro.”

Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, foi ainda mais duro: “É muito grave. Não estamos falando de ilação, estamos falando de um áudio. A discussão não é só sobre CPI, é sobre o mandato dele no Senado que tem que ser cassado.”

O PL, partido de Flávio, reuniu sua cúpula em caráter de emergência para avaliar os impactos. Parte dos aliados considera o episódio uma “bomba” para a candidatura presidencial do senador; outra ala aposta que o caso perderá força por não haver provas diretas de corrupção.

Em nota oficial, Flávio Bolsonaro defendeu-se: “Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet.”

Nos áudios revelados, o senador demonstra preocupação com os atrasos: “Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça… está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso.”

O caso Vorcaro, apelidado nos bastidores de “Bolsomaster”, promete acirrar ainda mais o embate político entre governo e oposição, com potencial de se tornar um dos principais focos de disputa no Congresso e na campanha presidencial de 2026.

Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas, que dava uma entrevista no Jaguaré, no local onde houve a explosão de uma tubulação de gás da Comgás nesta semana, foi inquirido por um jornalista sobre as denúncias contra Flávio. Ele se recusou a comentar o assunto, dizendo que a questão não era “pauta do momento”.