Maquete do Reator Multipropósito Brasileiro, que desenvolvera pesquisa em medicina nuclear. (Foto Divulgação)


O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou nesta segunda-feira (24), o início das obras de infraestrutura do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), na cidade de Iperó, interior de São Paulo.

A ministra Luciana Santos e o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Francisco Rondinelli Junior, entre outros estiveram no local para acompanhar o início dos trabalhos.

“Teremos aqui um dos mais importantes centros de pesquisa para aplicações da tecnologia nuclear em benefício da sociedade”, disse a ministra. Segundo ela

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O empreendimento, segundo Luciana Santos, visa garantir, entre outros avanços, “autossuficiência do Brasil na produção de radioisótopos usados na fabricação de fármacos para tratamento do câncer. Vamos, assim, reduzir riscos de desabastecimento, diminuir custos e ter melhores condições para atender a população”, afirmou a ministra.

Além mais, segundo Luciana Santos o reator é um “projeto de avanço científico e tecnológico, que fornecerá ao país uma infraestrutura essencial para impulsionar o desenvolvimento do setor nuclear”.

“Suas aplicações abrangem desde o uso social e tecnológico da energia nuclear, incluindo geração de eletricidade e propulsão, até a pesquisa e inovação em diversas áreas do conhecimento”, declarou.

Na área de saúde, em medicina nuclear, o reator poderá garantir a autossuficiência na produção do radioisótopo Molibdênio-99, essencial para a obtenção do Tecnécio-99m, utilizado em diagnósticos médicos, assegurando o abastecimento do material.

O RMB será uma infraestrutura essencial para o desenvolvimento de combustíveis nucleares e materiais utilizados em reatores, viabilizando a qualificação de combustíveis para propulsão nuclear, reatores das centrais nucleares brasileiras e novas tecnologias, como os pequenos reatores modulares (SMR).

Na pesquisa científica e inovação, o reator ampliará a capacidade nacional com a utilização de feixes de nêutrons, possibilitando análises avançadas por ativação com nêutrons, desenvolvimento de novos materiais e aplicações em nanotecnologia, biologia estrutural e outras áreas científicas, tornando-se um laboratório de referência na América Latina.

O RMB será o maior centro de tecnologia nuclear do Brasil, consolidando-se como um marco de sustentabilidade, inovação científica e tecnológica, e desenvolvimento de aplicações nucleares para a sociedade. Com sua implantação, o país avança na construção de uma infraestrutura nuclear de ponta, fortalecendo a autonomia, a segurança e o progresso tecnológico essencial para o seu desenvolvimento.

PAC

Esta é a primeira vez que projetos na área de ciência e tecnologia entram nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).

Em 2024, foram contratados mais de R$300 milhões para o RMB. E, até 2026, a previsão é de que o aporte total do MCTI seja de R$ 926 milhões.

Os recursos são do Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e vão ajudar na construção do maior centro de tecnologia nuclear do país. O RMB está dentro do eixo 8 de Programas de Apoio a Projetos Nacionais Estratégicos.