A Universidade de São Paulo (USP) vive nesta sexta-feira um dos episódios mais tensos dos últimos tempos. A Reitoria, localizada no campus do Butantã, foi ocupada por estudantes em greve e cercada pela Polícia Militar, que bloqueou os acessos e cortou o fornecimento de água e energia elétrica. Ontem, os estudantes derrubaram as portas do prédio e ocuparam o local.
O ato marca a escalada de um conflito que já dura semanas e expõe a disputa entre reivindicações estudantis e a administração central da universidade.
Desde as primeiras horas da manhã, viaturas da PM se posicionaram em torno do prédio. Tropas do Choque foram mobilizadas para conter a ocupação iniciada na véspera. Dentro da reitoria, os estudantes organizaram turnos de vigília e atividades culturais para resistir ao cerco. “Estamos lutando por condições mínimas de permanência. Sem negociação, a ocupação é nossa única alternativa”, disse um representante do movimento estudantil.
A mobilização integra a greve conjunta de USP, Unicamp e Unesp, deflagrada após a aprovação de gratificações de R$ 4 mil mensais para docentes, sem que demandas estudantis fossem atendidas.
Entre as reivindicações estão o aumento dos auxílios do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe), melhorias nos restaurantes universitários — os bandejões — e nas moradias do Conjunto Residencial da USP (Crusp).
Os estudantes também pedem políticas de inclusão, como a implementação de cotas trans, e defendem que os auxílios sejam reajustados para o valor de um salário mínimo paulista.
Do outro lado, a gestão do reitor Aluísio Segurado afirma que as negociações foram encerradas e lamenta “a escalada da violência”. Em nota oficial, a USP declarou ter acionado as forças de segurança pública “para evitar novos danos ao patrimônio e garantir a integridade física dos envolvidos”.
A administração sustenta que já houve avanços em políticas de permanência e que a ocupação ameaça a continuidade das atividades acadêmicas e administrativas.
O clima é de tensão. Parlamentares e representantes de movimentos sociais estiveram no local para tentar mediar o impasse e evitar confronto direto entre policiais e estudantes.
A vereadora Luana Alves (PSOL), presente na negociação, afirmou que “o corte de água e luz é uma medida desumana e agrava ainda mais a situação”. Já os estudantes denunciam que a reitoria ignora seus contatos desde o início da semana e que a presença ostensiva da PM aumenta o risco de repressão.
A crise na USP reflete um debate mais amplo sobre financiamento da educação pública e políticas de permanência estudantil. Enquanto a reitoria defende que cumpre seu papel de gestão responsável, os alunos argumentam que, sem apoio financeiro e infraestrutura adequada, muitos não conseguem concluir seus cursos.
O impasse expõe a dificuldade de conciliar interesses institucionais e demandas sociais em um momento de forte mobilização universitária.
O desfecho da ocupação ainda é incerto. De um lado, estudantes prometem resistir até que suas reivindicações sejam ouvidas; de outro, a reitoria aposta na força policial para retomar o controle do prédio.
Entre acusações de intransigência e denúncias de repressão, o episódio já se inscreve como um marco na história das mobilizações estudantis da USP.
Linha do tempo da ocupação da Reitoria da USP
Abril de 2026
7/4 — Professora Sandra Regina Campos sofre mal súbito durante palestra noturna na Unesp; estudantes denunciam falta de atendimento médico no período noturno. O episódio intensifica mobilizações por melhorias na estrutura das universidades estaduais.
Início de maio de 2026
6/5 — Estudantes da USP acampam em frente à reitoria no campus do Butantã. No Crusp, alunos relatam problemas graves de infraestrutura, como mofo, infiltrações e vazamento de gás em cozinhas coletivas.
7/5 (manhã) — Cerca de 400 estudantes participam de manifestação em frente à reitoria da USP. O protesto segue pacífico até o meio da tarde.
7/5 (16h) — Grupo de manifestantes derruba portão e portas de vidro e ocupa o prédio da reitoria. Policiais militares acompanham à distância, sem confronto direto.
7/5 (noite) — USP divulga nota lamentando danos ao patrimônio e informa que acionou forças de segurança para evitar novas ocupações.
8 de maio de 2026
Manhã — Polícia Militar cerca a reitoria, bloqueia acessos e corta água e energia elétrica do prédio. Tropas do Choque são mobilizadas.
Durante o dia — Estudantes organizam turnos de vigília e atividades culturais dentro da reitoria. Parlamentares e movimentos sociais tentam mediar o impasse.
Declarações
Movimento estudantil: “Estamos lutando por condições mínimas de permanência. Sem negociação, a ocupação é nossa única alternativa.”
Reitoria da USP: “A escalada da violência é lamentável. Acionamos forças de segurança para garantir a integridade física dos envolvidos.”
Vereadora Luana Alves (PSOL): “O corte de água e luz é uma medida desumana e agrava ainda mais a situação.”
Situação atual (8/5, fim da manhã)
Estudantes mantêm a ocupação e prometem resistir até que suas reivindicações sejam atendidas.
Reitoria aposta na força policial para retomar o controle do prédio.
O impasse permanece sem solução imediata, com risco de confronto.
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