Cena do filme Dark Horse com o ator Jim Caviezel. (Reprodução)


Brasileiros invadiram as redes sociais do ator norte-americano Jim Caviezel, intérprete de Jair Bolsonaro no filme Dark Horse, com críticas após a divulgação de áudios e mensagens que revelaram pedidos de financiamento feitos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O parlamentar é pré-candidato à Presidência nas eleições deste ano.

Entre os comentários publicados nas postagens de Caviezel, destacam-se frases como: “Esse é o filme gravado com dinheiro do Banco Master? Pergunta aí pro Flávio de onde veio a grana”, “Quem pagou esse filme foram os aposentados do Brasil” e “Dinheiro do filme vindo por esquema de corrupção”. Até a noite de ontem, o ator não havia se manifestado sobre o caso.

As mensagens surgiram horas depois de o site Intercept Brasil divulgar os contatos entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Os registros incluem áudios e textos em que o senador solicita recursos para viabilizar a produção do longa sobre a trajetória do pai.

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Bolsonaro, afirmou que o episódio “preocupa” e que o pré-candidato “precisa continuar dando esclarecimentos à medida que as perguntas forem aparecendo”. Segundo ele, “o escândalo do Master está no centro das atenções de todos os brasileiros. O brasileiro não tolera mais a corrupção”. Apesar disso, Tarcísio disse não acreditar que o caso enfraqueça a candidatura de Flávio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição e polariza a corrida com o senador do PL, classificou o episódio como “um caso de polícia”. “Não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, eu não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”, afirmou.

Nos comentários dirigidos a Caviezel, em português e inglês, internautas acusaram o ator de ter recebido dinheiro proveniente de fundos de pensão envolvidos no escândalo do Banco Master. Caviezel, que ganhou notoriedade internacional ao interpretar Jesus em A Paixão de Cristo (2004), tem se aproximado nos últimos anos de discursos ligados ao movimento conspiratório QAnon, da extrema-direita norte-americana.