A proporção de trabalhadores que consideram sua renda suficiente para cobrir despesas essenciais caiu de 71,8% em março para 70,8% em abril, segundo a Sondagem do Mercado de Trabalho da Fundação Getulio Vargas (FGV). No mesmo período, aumentou de 28,2% para 29,2% a fatia dos que avaliam não ter renda suficiente para gastos básicos como moradia, educação, alimentação e saúde.
De acordo com Rodolpho Tobler, economista da FGV responsável pelo indicador, a inflação de alimentos e o menor ritmo de crescimento dos salários explicam a mudança. “As pessoas estão conseguindo melhorar renda e pagar contas, mas o avanço é mais lento”, disse.
O cenário de 2026 traz novos fatores de pressão, como a guerra no Oriente Médio, que restringiu a oferta global de petróleo e fertilizantes. No Brasil, isso encareceu combustíveis e insumos agrícolas, elevando o custo da produção de alimentos e impulsionando a inflação.
A economia também mostra sinais de desaceleração em relação a 2025. O PIB cresceu 2,3% no ano passado, mas as projeções mais recentes do Boletim Focus, do Banco Central, apontam alta de 1,85% neste ano. “O mercado de trabalho deve andar mais de lado, com renda crescendo de forma mais tímida”, afirmou Tobler.
Essa percepção menos favorável impactou ainda a satisfação com o emprego. A proporção de trabalhadores que se declararam satisfeitos caiu de 65% para 63,8% entre março e abril. Já os que consideram improvável perder o posto nos próximos meses recuaram de 47,8% para 46,9%. “A cautela está aumentando porque os trabalhadores veem as contas apertando no orçamento”, disse Tobler.





