A visita, na última quinta-feira, 14, ocorre em um momento de crise energética no país caribenho. Nos últimos meses, o governo Trump aumentou a pressão econômica sobre Cuba ao ameaçar impor tarifas a países que fornecem combustível à ilha, medida que agravou a escassez de diesel e óleo combustível e provocou apagões prolongados em várias regiões.
Um dia antes da visita, moradores de Havana registraram protestos após cortes de energia que, em alguns bairros, ultrapassaram 24 horas. O ministro de Energia e Minas cubano afirmou que o sistema elétrico nacional entrou em estado “crítico”. Ratcliffe se reuniu com integrantes da cúpula de segurança cubana para discutir cooperação em inteligência, segurança regional e estabilidade econômica, de acordo com a Reuters. O governo cubano confirmou o encontro e informou que as conversas envolveram temas ligados à cooperação bilateral entre órgãos de segurança dos dois países.
A viagem também chama atenção por seu caráter incomum. De acordo com a agência, esta teria sido apenas a segunda visita de um diretor da CIA a Cuba desde a revolução liderada por Fidel Castro, em 1959.
Ex-presidente cubano pode enfrentar acusação nos EUA
Enquanto mantém contatos diplomáticos com Havana, o governo norte-americano também avalia endurecer a pressão sobre figuras históricas do regime cubano. Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, o Departamento de Justiça dos EUA planeja apresentar uma acusação formal contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, de 94 anos.
De acordo com uma fonte ligada ao governo dos EUA ouvida pela agência, o possível indiciamento está relacionado à derrubada, em 1996, de aeronaves do grupo humanitário Brothers to the Rescue pela força aérea cubana. O episódio deixou quatro pessoas mortas e ampliou as tensões diplomáticas entre Havana e Washington na época.
A acusação ainda dependeria da aprovação de um grande júri, mas a medida é considerada iminente. O governo cubano não comentou oficialmente o caso até o momento.

