O diretor da CIA, John Ratcliffe, esteve em Havana para transmitir uma mensagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao governo cubano em meio ao agravamento das tensões entre os dois países. Segundo informações da agência Reuters, Washington afirmou que poderá ampliar o diálogo com a ilha em temas econômicos e de segurança, mas apenas se houver “mudanças fundamentais” por parte de Cuba.

A visita, na última quinta-feira, 14, ocorre em um momento de crise energética no país caribenho. Nos últimos meses, o governo Trump aumentou a pressão econômica sobre Cuba ao ameaçar impor tarifas a países que fornecem combustível à ilha, medida que agravou a escassez de diesel e óleo combustível e provocou apagões prolongados em várias regiões.

Um dia antes da visita, moradores de Havana registraram protestos após cortes de energia que, em alguns bairros, ultrapassaram 24 horas. O ministro de Energia e Minas cubano afirmou que o sistema elétrico nacional entrou em estado “crítico”. Ratcliffe se reuniu com integrantes da cúpula de segurança cubana para discutir cooperação em inteligência, segurança regional e estabilidade econômica, de acordo com a Reuters. O governo cubano confirmou o encontro e informou que as conversas envolveram temas ligados à cooperação bilateral entre órgãos de segurança dos dois países.

A viagem também chama atenção por seu caráter incomum. De acordo com a agência, esta teria sido apenas a segunda visita de um diretor da CIA a Cuba desde a revolução liderada por Fidel Castro, em 1959.

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Ex-presidente cubano pode enfrentar acusação nos EUA

Enquanto mantém contatos diplomáticos com Havana, o governo norte-americano também avalia endurecer a pressão sobre figuras históricas do regime cubano. Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, o Departamento de Justiça dos EUA planeja apresentar uma acusação formal contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, de 94 anos.

De acordo com uma fonte ligada ao governo dos EUA ouvida pela agência, o possível indiciamento está relacionado à derrubada, em 1996, de aeronaves do grupo humanitário Brothers to the Rescue pela força aérea cubana. O episódio deixou quatro pessoas mortas e ampliou as tensões diplomáticas entre Havana e Washington na época.

A acusação ainda dependeria da aprovação de um grande júri, mas a medida é considerada iminente. O governo cubano não comentou oficialmente o caso até o momento.

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