O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou nesta sexta-feira (15) que não aconselharia seus filhos a estudarem ou trabalharem nos Estados Unidos diante do atual “clima social” do país durante o governo de Donald Trump. A declaração foi feita durante um debate com jovens e repercutiu internacionalmente por evidenciar o aumento das tensões políticas e culturais entre Alemanha e EUA.
Merz declarou ser um admirador histórico dos Estados Unidos, mas afirmou que sua visão sobre o país mudou nos últimos anos. Segundo ele, até profissionais altamente qualificados enfrentam dificuldades para conseguir emprego no território americano. O chanceler associou esse cenário a um ambiente social mais polarizado e menos acolhedor para estrangeiros.
Ao comparar os modelos econômicos das duas nações, Merz criticou o que chamou de “capitalismo puro” dos EUA e defendeu o sistema alemão de economia social de mercado. O líder alemão também procurou reforçar a confiança dos jovens na própria Alemanha, afirmando que poucos países oferecem tantas oportunidades para a nova geração quanto o país europeu.
As declarações provocaram reação imediata de aliados de Trump. O ex-embaixador americano na Alemanha e conselheiro do republicano, Richard Grenell, criticou Merz nas redes sociais e acusou o chanceler de ser influenciado pela “mídia woke alemã”.
O episódio amplia a sequência de atritos recentes entre Berlim e Washington. No mês anterior, Merz já havia criticado a condução das negociações americanas com o Irã, afirmando que Teerã estaria “humilhando” os EUA na mesa diplomática. Após a declaração, Trump respondeu dizendo que o chanceler fazia um trabalho “péssimo” e anunciou a retirada de cerca de 5 mil soldados americanos de bases instaladas na Alemanha, medida interpretada como retaliação política.
Apesar das divergências, Merz afirmou nesta sexta-feira ter mantido uma “boa conversa” por telefone com Trump. Em publicação na rede X, o chanceler destacou que Alemanha e Estados Unidos seguem como parceiros estratégicos dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte e defendeu avanços nas negociações envolvendo o Irã e a segurança no Oriente Médio.



