Fábrica da Volkswagen que tem toda produção voltada para veículos elétricos (Divulgação/Volkswagen)


A Volkswagen estuda liberar parte das suas linhas de produção ociosas na Alemanha para fabricantes chineses de veículos elétricos, em meio a uma das maiores crises da história da companhia.

Uma das plantas em análise é a de Zwickau, na Saxônia, que recebeu investimento de 1,5 bilhão de euros em 2019 para se tornar referência na produção de carros elétricos, mas nunca atingiu plena capacidade.

O secretário de Economia da Saxônia, Dirk Panter, declarou na semana passada que “a China é uma oportunidade” e que o critério para avançar não deve ser ideológico, mas sim a viabilidade industrial e a preservação dos postos de trabalho.

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A abertura a parcerias com empresas chinesas também foi defendida pelo governador da Baixa Saxônia, Olaf Lies, estado que detém 20% das ações da Volkswagen. “São declarações que, há alguns anos, seriam vistas como heresia em Wolfsburg”, destacou o semanário Die Zeit.

A montadora alemã enfrenta dificuldades na transição para os elétricos, que avança mais lentamente do que o previsto, enquanto marcas chinesas ganham espaço no mercado europeu. A crise se reflete nos números: em 2025, o lucro líquido da Volkswagen caiu 44%, e o grupo anunciou um plano de reestruturação que prevê o corte de 50 mil empregos na Alemanha até 2030.

Segundo o jornal Handelsblatt, as conversas com fabricantes chineses começaram em 2024 e incluíram negociações com a estatal SAIC, parceira da Volkswagen na China, para uso da planta de Emden. A direção da empresa, no entanto, rejeita por enquanto a possibilidade de vender fábricas inteiras a grupos como a BYD.

O debate provoca divisões políticas na Alemanha. Parlamentares da Saxônia alertam para riscos de espionagem e para experiências negativas já vividas com empresas chinesas na região. “A ideia é provocadora: fábricas alemãs, trabalhadores alemães qualificados, tradição de engenharia alemã — mas marcas e tecnologia chinesas”, resumiu o Die Zeit.