Os áudios com Vorcaro detonaram sua pré-candidatura. (Foto: Ag. Senado)


O pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, inicia nesta terça-feira (19) uma ofensiva política para tentar estancar o desgaste provocado pela divulgação de gravações em que pede recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Após um fim de semana de articulações de bastidores, o parlamentar se reúne hoje com dirigentes do PL, integrantes da coordenação de campanha e congressistas para alinhar o discurso e tentar conter o isolamento dentro da própria base.

A estratégia de contenção de danos prevê um segundo passo na quarta-feira (20), quando o senador pretende se reunir com representantes do mercado financeiro. O objetivo é tentar reconquistar o apoio de empresários que, diante do episódio, recuaram e chegaram a cancelar compromissos que já haviam sido agendados com o pré-candidato.

Desconforto na base e busca por alternativas

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O encontro desta terça-feira deve atrair parlamentares do bloco Vanguarda (composto por PL, Novo e Avante) e de outras siglas de oposição. No entanto, o clima é de apreensão: ausências já esperadas no encontro evidenciam o desconforto de aliados com os rumos da pré-campanha. Surpreendidos pelo teor dos áudios, setores da base bolsonarista já começam a cogitar abertamente alternativas para a disputa presidencial, como o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, apesar de a ala histórica do partido ainda resistir à ideia.

Oficialmente, a cúpula partidária tenta minimizar a crise. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, declarou que o foco da reunião de hoje é estritamente o “alinhamento de agendas e discursos”, visando a consolidação das bases para as convenções partidárias marcadas para julho.

Impacto nas alianças regionais

A repercussão do caso também movimentou o cenário das alianças estaduais. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), subiu o tom e classificou o episódio envolvendo as gravações como “imperdoável”. Apesar da dura crítica, Zema ponderou que apoiaria Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra o presidente Lula e afirmou que a relação institucional entre o Novo e o PL não deve sofrer impactos imediatos.

Mesmo com a sinalização do governador mineiro, a crise adiciona incerteza aos palanques regionais. Lideranças locais em estados estratégicos como Minas Gerais, Santa Catarina, Ceará e Bahia seguem demonstrando forte resistência em nacionalizar os acordos com o PL, mantendo as composições locais indefinidas.