A despesa líquida com benefícios previdenciários em 2026 foi revisada pelo governo e deve aumentar em R$ 11,5 bilhões, passando de R$ 1,066 trilhão para R$ 1,077 trilhão. O acréscimo, confirmado em nota técnica que embasa o segundo relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas, será anunciado oficialmente na próxima sexta-feira e vai provocar novo bloqueio no Orçamento federal.
Segundo técnicos da área econômica, o aumento decorre principalmente da redução da fila do INSS, que chegou a 3,1 milhões de pedidos no início do ano. A força-tarefa para acelerar a análise de processos resultou em maior concessão de aposentadorias, pensões e salário-maternidade, elevando rapidamente a folha de pagamentos. “A despesa líquida com benefícios em 2026 deve passar de R$ 1,066 trilhão para R$ 1,077 trilhão”, diz o documento.
O impacto imediato será a necessidade de ampliar o contingenciamento de despesas discricionárias, atingindo ministérios e emendas parlamentares. Em março, o governo havia bloqueado apenas R$ 1,6 bilhão, valor considerado insuficiente pelo mercado. Agora, a expectativa é de um bloqueio mais robusto, estimado em pelo menos R$ 6 bilhões.
A medida pressiona ainda mais as contas públicas em um ano eleitoral. A redução da fila do INSS foi promessa de campanha do presidente Lula, mas o aumento da despesa virou munição para a oposição. Técnicos do governo reconhecem que o bloqueio anterior foi “uma manobra para adiar o desgaste do congelamento de recursos em ano eleitoral”.
Com menos espaço para investimentos e custeio da máquina administrativa, o governo enfrenta o dilema entre cumprir promessas sociais e preservar o equilíbrio fiscal. O relatório bimestral desta sexta-feira deve detalhar o tamanho exato do bloqueio e indicar quais áreas serão mais afetadas.
Esse movimento reforça a pressão estrutural sobre o Orçamento e evidencia a dificuldade de conciliar a expansão de benefícios sociais com a necessidade de responsabilidade fiscal.





