O cineasta paulistano Lucas Acher, 30, venceu nesta quinta-feira, 21 de maio, a categoria La Cinef do Festival de Cannes com o curta-metragem Laser-Gato.
O prêmio foi concedido pelo júri presidido pela diretora espanhola Carla Simón e composto por Ali Asgari, Salim Kechiouche, Ji-Min Park e Magnus von Horn, durante cerimônia realizada na sala Buñuel do festival, seguida da exibição dos filmes premiados.
A vitória coloca Acher no centro do radar internacional do cinema contemporâneo. A La Cinef é considerada a principal vitrine de novos talentos do Festival de Cannes, e historicamente revelou cineastas que mais tarde passaram a ocupar espaço de destaque no circuito global. Nesta edição, a seleção reuniu 19 filmes escolhidos entre 2.747 inscrições enviadas por 662 escolas de cinema de todo o mundo.
Único brasileiro na categoria em 2026, Acher já havia chamado atenção ao entrar na seleção oficial do festival com um filme realizado em São Paulo, de orçamento curto e forte assinatura estética. Com a vitória, o diretor passa a integrar um grupo ainda mais restrito de jovens realizadores reconhecidos por Cannes logo no início da carreira.
“É um filme muito íntimo, feito em São Paulo, uma cidade muito peculiar, que está em constante transformação, e de repente ele está nesse festival gigante”, afirmou o diretor após a seleção oficial. “Cannes sempre foi um sonho, uma ideia quase abstrata. Quando acontece, parece um pouco irreal,” afirma Acher.
Laser-Gato acompanha um adolescente ansioso que atravessa São Paulo durante uma única noite após uma brincadeira com ponteiro laser sair do controle. A narrativa aposta em uma deriva urbana fragmentada e evita estruturas clássicas, em que a cidade se torna elemento ativo da experiência cinematográfica.
A arquitetura do centro paulistano, os vazios urbanos, a iluminação artificial e os ruídos da madrugada moldam o ritmo do filme, criando uma atmosfera que oscila entre o suspense, o humor e o estranhamento. O desenho de som trabalha menos como condução emocional tradicional e mais como composição sensorial, ampliando a sensação de deslocamento do protagonista.
Com participação dos atores Gabriel Brennecke e Gilda Nomacce, Laser-Gato foi produzido pela Bruto Films e filmado em locações reais da capital paulista. O curta transforma limitações de produção em escolhas formais precisas, valorizando o tempo morto, a observação cotidiana e pequenas rupturas que tensionam o real sem abandoná-lo completamente.
Acher desenvolve atualmente projetos de maior escala com perspectiva de coprodução internacional, mantendo São Paulo como eixo central de sua filmografia.
“São Paulo é uma cidade intensa e magnética. Um pouco distópica, cheia de contradições”, afirmou. “A perspectiva de mostrar para o mundo que todos os tipos de histórias podem se passar aqui é animadora,” explica o diretor.





