Bolsonaro fala em frente ao anexo do Senado, dizendo estar sendo perseguido. (Reprodução TV)


O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) discursou nesta quarta (26) em frente ao Senado após ser formalmente acusado de tentativa de golpe de Estado. Durante quase uma hora, ele reconheceu ter discutido “hipóteses” com os líderes das Forças Armadas, criticou ministros do STF e defendeu a implementação do voto impresso.

Bolsonaro classificou as acusações como “graves e infundadas”. Ele afirmou: “Ontem fui ao Supremo, foi uma decisão de última hora. Hoje resolvi não ir, motivo: obviamente sabia o que ia acontecer. Parece que eles têm algo pessoal contra mim, e as acusações são muito graves e infundadas.” Ele também alegou ter desencorajado atos violentos em transmissões ao vivo nas redes sociais, mas acusou o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, de não incluir essas imagens no processo. “Ele coloca o que quer lá, por isso os inquéritos dele são secretos”, declarou.

O ex-presidente também questionou a conduta de Flávio Dino enquanto ministro da Justiça. “O ministro Flávio Dino, na Justiça, negou os vídeos do 8 de Janeiro. [Tinha] quase 200 máquinas. Ele entregou apenas quatro vídeos e disse que o contrato estava vencido. Pelo amor de Deus, eu que sou golpista?”, indagou.

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Negando a tentativa de golpe, Bolsonaro argumentou que a assinatura de um decreto não teria validade sem a convocação dos conselhos da República. “Não convoquei os conselhos da República, nem houve atos preparatórios para isso. Se trabalhar com o dispositivo constitucional é sinal de golpe, então golpe não tem lei, não tem norma”, afirmou.

Ele admitiu, no entanto, ter discutido “hipóteses de dispositivos constitucionais” com os comandantes das Forças Armadas. “Os comandantes jamais embarcariam numa aventura. Eu discuti hipóteses de dispositivos constitucionais. Isso não é crime”, disse.

Bolsonaro também comparou o Brasil à Venezuela e voltou a criticar as urnas eletrônicas, reiterando que “o voto impresso é um direito, assim como a contagem pública de votos deve ser feita”.

Nesta quarta (26), a Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados. Eles são acusados de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. O tribunal agora dará início à ação penal, que poderá resultar na condenação ou absolvição dos acusados.

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