Com produção em larga escala e custos bem baixos, produtos chineses invadem mercados do mundo todo. (Foto Divulgação)


A guerra comercial entre China e Estados Unidos está provocando uma reorganização no comércio global, e o Brasil já sente os impactos. Com as tarifas americanas sobre produtos chineses chegando a 145%, empresários brasileiros estão apreensivos com a possibilidade de uma invasão de mercadorias vindas da China, que busca novos mercados para escoar sua produção.

O setor produtivo brasileiro teme que o país se torne um dos principais destinos para os produtos chineses, especialmente em segmentos como têxteis, calçados, eletrônicos e siderurgia.
Dados da Abicalçados mostram que, apenas em março, as importações de calçados da China subiram 51,7% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 5 milhões de unidades. “Essa invasão ocorre antes mesmo da entrada em vigor da nova tarifa”, afirmou Haroldo Ferreira, presidente-executivo da entidade.

O continente europeu também se preocupa com a vinda de produtos chineses em maior quantidade, veja aqui:

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Europa se prepara para invasão de produtos chineses | Brasil Confidencial

Concorrência desleal e dumping

Especialistas alertam para o risco de dumping, prática em que produtos são vendidos a preços inferiores aos praticados na origem, prejudicando a indústria local. Thiago de Aragão, CEO da Arko International, explica que a China precisa manter sua máquina industrial funcionando e, por isso, busca desovar seus produtos em mercados como o Brasil. “O Brasil pode ser um destino de produtos necessários para o dia a dia, mas também será alvo de dumping chinês, o que já acontece e tende a aumentar ainda mais”, afirmou.
Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), defende a adoção de cotas para limitar as importações chinesas. “Os processos de dumping são demorados e caros. Se todos os setores entrarem com processos ao mesmo tempo, o problema só será resolvido em cinco anos. Até lá, Inês é morta”, ironizou.

Impactos e oportunidades

Apesar das preocupações, alguns setores enxergam oportunidades. Rafael Cagnin, economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), acredita que o Brasil pode ganhar espaço no mercado global com a reorganização do comércio. “As regras do jogo estão mudando, e há prejuízos e oportunidades num cenário de muita incerteza”, afirmou.

A indústria brasileira, no entanto, pede medidas mais rápidas e eficazes para proteger o mercado interno. Entidades como a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) destacam que o aumento das importações chinesas pode prejudicar a competitividade das empresas nacionais, especialmente em setores estratégicos X

O que vem pela frente?

Com a escalada tarifária entre China e EUA, o Brasil precisa avaliar cuidadosamente suas políticas comerciais. Enquanto alguns defendem a abertura de negociações com a China para atrair investimentos em fábricas locais, outros alertam para os riscos de protecionismo excessivo. “O Brasil está atrasado na agenda de integração internacional, e fechar o mercado seria um erro”, concluiu Cagnin.