Loja da Shein já em operação no Reino Unido. (Foto Divulgação)


A União Europeia está em alerta. Com o aumento das tarifas americanas sobre produtos chineses, a Comissão Europeia teme uma invasão ainda maior de mercadorias vindas da China. Plataformas como Shein e Temu já registraram vendas impressionantes nos últimos dois anos, e a tendência é que esses números disparem com a escalada tarifária entre Washington e Pequim.

Dois dos principais jornais franceses, Le Figaro e Les Echos, destacaram o tema nesta sexta-feira (11). Segundo Le Figaro, Bruxelas está preparando um pacote para “amortecer o choque” causado pelas tensões comerciais. “Este choque deve congelar as trocas comerciais entre os dois e obrigar Pequim a encontrar um destino para os US$ 500 bilhões em bens que costuma exportar para os Estados Unidos”, afirma o jornal.

Setores mais ameaçados


Na Europa, os setores mais vulneráveis ao redirecionamento das exportações chinesas incluem siderurgia, químicos, automobilístico e têxteis. Para proteger esses mercados, a Comissão Europeia está elaborando um mecanismo para monitorar rigorosamente as importações.

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Les Echos aponta que a plataforma Shein será um dos maiores alvos. Nos últimos 12 meses, os franceses gastaram € 3 bilhões em compras no site. “Isso pode ser apenas o começo da lavada chinesa no mercado de moda, objetos de decoração e artigos esportivos”, alerta o jornal.

União Europeia: o novo foco da Shein


Com as tarifas americanas sobre produtos chineses chegando a 145%, a União Europeia pode se tornar o principal mercado mundial da Shein. Le Figaro sugere que, em vez de aumentar as taxas europeias, o bloco poderia negociar com o presidente Xi Jinping uma abertura do mercado interno chinês, considerado gigantesco e pouco explorado.

Na França, plataformas asiáticas já representam 22% das encomendas entregues pelos correios, um salto significativo em relação aos 5% registrados há cinco anos. Em toda a Europa, cerca de 4,6 bilhões de remessas de baixo valor (91% vindas da China) entraram no mercado em 2024, o dobro de 2023 e três vezes mais que em 2022, segundo a Comissão Europeia.

Isenção de impostos alfandegários


O foco dessas plataformas está em pacotes abaixo de € 150, limite de isenção de impostos alfandegários na União Europeia. Essa regra, criada em 2010, promoveu a “fluidez aduaneira” e introduziu o conceito de “valor insignificante”. No entanto, a Comissão Europeia pediu em fevereiro que essa vantagem fosse removida, destacando os riscos de importar produtos perigosos e o impacto ambiental significativo.

Enquanto isso, Trump já tomou medidas. Na terça-feira (8), ele assinou um decreto aumentando as taxas alfandegárias sobre pequenos pacotes da China, de 30% para 90%.

Críticas à lentidão europeia


A isenção de taxas alfandegárias é vista como uma vantagem “injustificada” e “anacrônica” que cria uma concorrência desleal, segundo Marc Lolivier, delegado geral da Federação do Comércio Eletrônico da França. Pierre Bosche, presidente da Confederação dos Comerciantes Franceses, criticou a falta de ação das autoridades: “Temos a impressão de que cada uma está se escondendo atrás da outra. Resultado: nada acontece.”

Pierre-François Le Louët, copresidente do Sindicato Francês das Indústrias da Moda e do Vestuário, também alfinetou: “Se Trump consegue tomar decisões em três dias, imaginamos que a Comissão Europeia consiga fazê-lo em menos de três anos.”

A Europa propõe uma revisão do código aduaneiro, mas Yves Audo, presidente do Conselho Comercial Francês, alerta: “Isso levará dez anos.”