Representantes dos governos do Irã e dos Estados Unidos planejam uma terceira rodada de negociações sobre o rápido avanço do programa nuclear de Teerã na próxima semana, depois que ambos os lados disseram que fizeram progressos em suas conversas neste sábado (19), em Roma, na Itália. Nos próximos dias, haverá conversas de nível técnico entre as duas partes – outro sinal de avanço nas negociações.
O fato de os especialistas discutirem os detalhes de um possível acordo sugere movimento nas negociações e ocorre no momento em que Trump pressiona por um acordo rápido enquanto ameaça uma ação militar contra o Irã. Segundo o Wall Street Journal, no entanto, o Irã pediu garantias de que os EUA não desistam de um futuro acordo, como o presidente Donald Trump fez com o pacto negociado por Barack Obama em 2018.
Uma autoridade dos EUA confirmou que, em um ponto durante as negociações em Roma, o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, conversaram cara a cara.
Os dois países, que não mantêm relações diplomáticas desde a Revolução Islâmica de 1979, já haviam considerado “construtiva a primeira rodada de conversações, na semana passada, em Mascate, capital de Omã.
“Foi uma boa reunião e posso dizer que as negociações estão avançando. Desta vez, conseguimos chegar a um entendimento melhor sobre uma série de princípios e objetivos”, declarou o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, ao canal de televisão estatal de seu país.
As negociações aconteceram de maneira “indireta” na residência do embaixador de Omã, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghai.
“As duas partes concordaram em continuar as discussões indiretas nos próximos dias a nível técnico e, depois, prosseguir com a negociação no próximo sábado”, informou o porta-voz na rede social X.
Fontes diplomáticas iranianas afirmaram que a terceira rodada de conversas acontecerá em Omã no dia 26 de abril.
As negociações entre Teerã e Washington foram retomadas após ameaças do presidente americano, Donald Trump, de iniciar ações militares contra o Irã caso um acordo sobre seu programa nuclear não seja alcançado.
Em 2018, durante seu primeiro mandato, Trump retirou Washington do acordo multilateral que estava em vigor para restringir o desenvolvimento nuclear da República Islâmica em troca da suspensão das sanções.
Desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro, o empresário republicano retomou a política de “pressão máxima” contra o Irã, endurecendo as sanções econômicas e ameaçando bombardear a República Islâmica.
Na quinta-feira, 17, Trump disse não ter pressa para recorrer à opção militar. “Eu acredito que o Irã quer conversar”, afirmou.
Em uma visita a Moscou, Araqchi declarou na sexta-feira que tinha “sérias dúvidas” sobre as intenções e os motivos da parte americana.
As potências ocidentais e Israel, grande inimigo do Irã, suspeitam que o objetivo do programa nuclear é desenvolver armamento atômico. Teerã rejeita as acusações e defende seu direito ao desenvolvimento nuclear com fins civis, como a geração de energia.
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), agência da ONU responsável por comprovar o caráter pacífico do programa nuclear iraniano, visitou Teerã esta semana.
Antes da viagem, o diplomata argentino Rafael Grossi afirmou em uma entrevista ao jornal francês Le Monde que o Irã “não está longe” de conseguir a arma nuclear.
“Estamos em uma fase crucial destas importantes negociações. Sabemos que temos pouco tempo”, declarou Grossi em Teerã.
Linhas vermelhas do Irã
Desde a saída dos Estados Unidos do acordo de 2015, o Irã se distancia do compromisso de não enriquecer urânio acima de 3,67% fixado por este pacto, que também foi assinado por Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia.
Segundo o relatório mais recente da AIEA, o país dispõe de urânio enriquecido a 60%, aproximando-se dos 90% necessários para fabricar uma arma nuclear.
O Irã quer limitar as negociações ao programa nuclear e às sanções. Neste aspecto, o país descarta paralisar toda sua atividade nuclear, uma “linha vermelha” para Teerã.
Araqchi alertou os Estados Unidos, na sexta-feira, 18, contra “demandas irracionais e não realistas”, depois que Witkoff pediu no início da semana o desmantelamento total do programa.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, descartou qualquer debate sobre as capacidades militares e de defesa do país, que tem um programa balístico que preocupa o Ocidente.
Antes do início das conversações entre Washington e Teerã, Israel reafirmou a determinação em impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.





