Centa retirada de vídoe postado pelo Irã diante da guerra de narrativa dos países. (Foto: Reprodução)


O governo do Irã usou outra arma em sua guerra contra os Estados Unidos e o governo de Donald Trump.
Na verdade, os iranianos estão lançando mão do mesmo artifício que Trump, que utiliza de forma ostensiva as redes sociais para veicular materiais produzidos por inteligência artificial, como fez na semana passada, quando reproduziu uma imagem em que aparecia como Jesus Cristo atendendo uma pessoa doente.

O Irã divulgou um vídeo produzido com IA em que ordena ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “calar a boca”.
A peça, publicada pela agência estatal de notícias Fars, ironiza o anúncio feito pelo líder norte-americano sobre a prorrogação do cessar-fogo na guerra entre os dois países.

O vídeo mostra Trump e uma delegação de altos funcionários de seu governo sentados em uma mesa de negociações, como se aguardassem a chegada dos iranianos.

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A cena é construída para sugerir impaciência e impotência, reforçando a mensagem de que Teerã não se submeterá às condições impostas por Washington.

Na tarde de terça-feira (21), Trump havia informado que a trégua seria estendida para permitir a continuidade das conversas com o Irã.

Ele afirmou que a decisão foi tomada a pedido do Paquistão, que atua como mediador. O presidente, no entanto, não especificou por quanto tempo o cessar-fogo permanecerá em vigor.

O detalhe sobre a intermediação paquistanesa foi alvo de escárnio no vídeo iraniano, que buscou retratar os EUA como dependentes de terceiros para avançar nas negociações.

A peça se insere em uma estratégia mais ampla de propaganda digital adotada por Teerã desde o início do conflito. O regime tem utilizado vídeos curtos, memes e conteúdos gerados por inteligência artificial para provocar Washington e mobilizar apoio interno. O tom jocoso e provocativo é parte de uma tentativa de mostrar resiliência diante da pressão militar e diplomática norte-americana.

Em comunicado oficial, autoridades iranianas afirmaram que o bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz equivale à continuidade da guerra e que não haverá negociações enquanto essa operação não for encerrada.

O estreito, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, é considerado estratégico para ambos os países e tem sido palco de tensões crescentes.

O episódio evidencia como a disputa entre Washington e Teerã se desenrola não apenas no campo militar e diplomático, mas também no terreno simbólico e digital. Ao recorrer à inteligência artificial para satirizar Trump, o Irã busca reforçar sua narrativa de resistência e projetar a imagem de que não cederá às pressões externas.