O tenente-coronel Mauro Cid no plenário do STF pouco antes de ser interrogado - Foto: STF


O ministro Alexandre de Moraes, relator da Ação Penal 2.668, sobre a “trama golpista” determinou nesta sexta-feira (13) que a empresa Meta Inc. (controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp) preserve e forneça informações sobre os perfis “Gabriela R” e “@gabrielar702” em até 24 horas.

A decisão atende a um pedido do réu Mauro César Barbosa Cid, que solicitou a abertura de uma investigação sobre a titularidade e o uso desses perfis, alegando que mensagens atribuídas a ele seriam falsas.

O fato chegou ao conhecimento público nesta sexta-feira (13), quando começou a circular a nova edição da revista “Veja”, cuja capa é Mauro Cid. A reportagem exclusiva da revista tem como título “Ele mentiu”. Ela revela que Mauro Cid chegou a usar uma conta com nome falso nas redes sociais para fazer contatos, o que ele não poderia, já que estava proibido por decisão do STF. A mulher de Mauro Cid se chama Gabriela Ribeiro.

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Em sua manifestação, Mauro Cid negou autoria das mensagens, afirmando que se trata de “mais uma miserável fake news que é tão combatida por esse Supremo Tribunal” e caracterizando o conteúdo como “uma falsidade grotesca”.

O ex-ajudante de ordens da Presidência da República argumentou que as expressões usadas nas mensagens não condizem com sua forma de escrever e que determinados temas mencionados nunca foram abordados em seus depoimentos à Polícia Federal. Segundo ele, os erros de concordância verbal e a forma como os diálogos foram construídos indicam que as mensagens “jamais poderiam ser de autoria de Mauro Cid”.

Diante das alegações, Moraes determinou que a Meta forneça todos os dados cadastrados nos perfis investigados, incluindo informações sobre o responsável, e-mail, número de celular e eventuais conexões com outros logins.

Além disso, a empresa deverá encaminhar todas as mensagens enviadas e recebidas no período de 1º de maio de 2023 até 13 de junho de 2025, permitindo que sejam analisadas no contexto da investigação.

A Ação Penal 2.668 envolve diversos réus, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, os generais Braga Netto, Augusto Heleno e outros altos membros do governo. O processo examina suspeitas relacionadas à tentativa de golpe de estado e tem como uma de suas principais peças a delação premiada de Mauro Cid, que revelou detalhes sobre o caso.

A Procuradoria-Geral da República foi informada da decisão, e os advogados constituídos serão intimados para acompanhar os próximos passos da investigação.