O empresário e ambientalista Carlos Alberto Tavares Ferreira, CEO da Carbon Zero, concedeu entrevista exclusiva ao Jornal BC TV, canal do Portal BRASIL CONFIDENCIAL, nesta terça-feira (24).
Ele foi entrevistado pelos jornalistas Germano Oliveira e Camila Srougi.
Na entrevista, Tavares Ferreira abordou temas cruciais na área ambiental e fez avaliação crítica à atual fase da chamada “economia verde”, classificando-a como um período de “muito discurso e pouca prática”.
Segundo ele, é fundamental que o Brasil assuma protagonismo na difusão de uma “economia verde de verdade” e que as empresas sejam capazes de transformar “promessas em resultados”.
Questionado sobre se o mundo já vive uma economia verde ou ainda está preso a discursos, o CEO foi enfático: “Ainda estamos na fase do muito falar, de um discurso eterno. A nossa economia verde exige mudanças de modelo, não apenas ajustes cosméticos”.
Ele também destacou que muitas metas carecem de compromisso real de impacto, apesar de estarem associadas à rastreabilidade e a compromissos públicos.
Urgência do Sul Global
Tavares Ferreira afirmou que as propostas atuais são insuficientes frente à gravidade do impacto climático já em curso. Enfatizou a necessidade de países em desenvolvimento, como o Brasil, terem acesso a matérias-primas e recursos, especialmente para populações originárias que, segundo ele, “estão gritando por isso”.
Para o especialista, há uma real oportunidade de avanço se o Brasil e outras nações do Sul Global conseguirem “articular com firmeza, com propostas técnicas viáveis e, principalmente, com transparência na aplicação desses recursos”. Mas advertiu para o risco de se repetir promessas já descumpridas, se não forem criados mecanismos de rastreabilidade e uma distribuição justa dos recursos climáticos.
Ele citou conferências como o Acordo de Paris como exemplos de compromissos não concretizados — em especial sobre a meta de limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C.
Sobre a próxima COP30, Tavares Ferreira expressou ceticismo quanto ao retorno dos Estados Unidos ao Acordo de Paris nos próximos anos:
“Não espere que isso aconteça nesses próximos quatro anos. Isso não vai acontecer na COP30”. Ressaltou que o limite de 1,5°C já está sendo superado, com “anos consecutivos de recordes de temperatura” — o que indica, segundo ele, que “muitos compromissos que ficaram no papel já foram ultrapassados”.
Sua expectativa para a COP30 é que surjam acordos vinculantes, com metas intermediárias e mecanismos de verificação obrigatória. E enfatizou: “Os países precisam demonstrar que vão cumprir”. O ideal, em sua visão, seria uma “nova pactuação global”, com foco em adaptação, financiamento climático acessível e mecanismos de mercado regulado com integridade.
Métricas, transparência e adaptação climática
O empresário defendeu a criação de métricas claras para a alocação de recursos. Como exemplo, citou o Painel Paranaense de Adaptação e Mudanças Climáticas, protocolado em 2017 na Assembleia Legislativa do Paraná. “Nós nos antecipamos a uma crise que aconteceu no estado. Quem falaria que Curitiba ficaria sem água durante dois anos? Pois ficou. Em 2018 e em 2019 praticamente chegamos à pandemia sem água. Isso é muito grave”, alertou.
Para ele, adaptação significa preparar cidades, estados e países para reduzir ao máximo os impactos de eventos extremos. E reforçou: “É preciso saber onde e como os recursos serão aplicados. Não se pode simplesmente colocar o dinheiro numa caixa sem saber onde e por quem será usado”.
Na entrevista, Carlos Alberto Tavares Ferreira reforçou a urgência de uma mudança de postura global frente à economia verde, cobrando ações concretas e mecanismos eficazes que transformem promessas em resultados tangíveis.
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