Ricardo Guedes*
Voltar a América a ser “great again” pela força não é o melhor caminho. Os Estados Unidos se tornaram a maior potência do mundo pela eficiência, e não pela força. As ações de Trump contrariam o melhor da economia de Chicago.
Toda nação para crescer tem que ter trabalho, regras, e investimento, nos termos propostos por James Robinson em “Why Nations Fail”, Prêmio Nobel de Economia em 2024. Não se consegue ser “imperialista” simplesmente porque se quer.
Em verdade, o termo “imperialismo” foi utilizado para denominar a presença, principalmente, da Inglaterra, e de outros países Europeus, no Oriente no século XIX e primeira metade do século XX, na concessão dos portos com consequências políticas e militares, em oposição ao termo “colonialismo”, da era Portuguesa e Hispânica na América Latina e parte da África.
A esquerda Latino Americana, notadamente na primeira metade do século XX, e até meados dos anos de 1970 e 1980, passou a utilizar o termo “imperarialismo” como denominação ao predomínio econômico dos Estados Unidos no continente. Em verdade, o predomínio econômico Americano se deu mais pela sua eficiência interna e suas relações de troca no âmbito internacional, do que pela imposição de força.
Hoje, o campo econômico de predomínio dos Estados Unidos não é mais o que se configurou até o final do século XX. Samuel Huntington, em “The Clash of Civilizations”, de 1996, já previa isto como tendência mundial. Dados do World Bank mostram que de 1960 a 2023 o PIB dos Estados Unidos caiu de 39,6% para 26,1% em sua participação no mundo. A balança de pagamentos Americana, positiva em quase toda a sua série no século XX, passa a amargar déficits nestas últimas duas décadas. E dados do World Inequality Report, mostram que de 1980 para cá, as classes médias e trabalhadoras passam a ser achatadas na distribuição de renda nos países do mundo, propiciando o apoio eleitoral dessas classes a líderes que, supostamente, representam serem antepostos ao status quo constituído, que não gerou benefícios à população.
Edward Gibbon, em “Decline and Fall of the Roman Empire”, diz que a pergunta a ser feita é mais o porquê o Império Romano demorou a cair, do que o porquê Roma caiu, imersa em dívidas e guerras que estava. Porque então não haviam grandes nações que pudessem fazer face; e, assim, demorou. Mas não é mais assim, agora.
Trump tenta colocar os Estados Unidos em uma aventura nefasta, em oposição a seus valores básicos de democracia e de economia de mercado, que prevaleceram em sua fundação pelos “Pais da Nação”, determinantes no sucesso do país. Não se resolve o mercado com força, e protecionismo, mas com eficiência.
Trump simboliza o início do declínio de uma grande nação.
*Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago, CEO da Sensus, e do Conselho Editorial do Brasil Confidencial.




