O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a enfatizar nesta terça-feira (8) que o Brasil não atingirá o patamar de economia desenvolvida enquanto persistirem os atuais níveis de desigualdade social.
Em entrevista, Haddad defendeu que a redução das disparidades econômicas é crucial para um crescimento sustentável, criticando o que chamou de “voo de galinha” do desenvolvimento, atribuído à falta de renda da população.
“Não existe nenhuma economia desenvolvida com esse nível de desigualdade. Nós precisamos enfrentar isso se nós quisermos ter um crescimento sustentável. Fala-se de voo de galinha. O voo de galinha acontece porque as pessoas não têm renda. Não têm renda”, declarou o ministro ao portal Metrópoles.
Agenda
Haddad também expressou insatisfação com o lento avanço da agenda econômica do governo no Congresso Nacional neste ano. O ministro aguarda, ainda nesta semana, um encontro com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para destravar as negociações sobre medidas econômicas. O impasse em torno do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) tem sido um dos principais pontos de atrito.
“Não, vamos nos ver brevemente. Quando um não quer, dois não brigam, nós não vamos brigar, porque no caso aqui, nenhum dos dois quer. Nenhum dos dois quer, nós temos muitos amigos em comum. Eu não tenho nem o direito de ter relações estremecidas com o presidente da Câmara, porque ele é um poder institucional, o Brasil depende da boa condução dos trabalhos dele, eu sou ministro, não tenho mandato”, afirmou Haddad, ressaltando a importância do diálogo institucional.
Na última semana, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os decretos do governo e do Congresso sobre o IOF, convocando os dois Poderes para uma mesa de negociação na próxima semana. Essa decisão manteve as alíquotas do tributo nos patamares anteriores à tentativa de elevação.
Haddad atribuiu o atraso da agenda no Congresso a fatores como o conflito em torno do IOF e a votação tardia do Orçamento deste ano. No entanto, o ministro demonstrou otimismo, esperando que o segundo semestre de 2025 seja mais produtivo para as votações na Câmara e no Senado.
“Teve eleição da Casa, votação do Orçamento foi muito tardia, porque deu esse atrito em relação a esse tema [derrubada do IOF], mas acredito que agora temos aí um semestre que pode ser muito produtivo. Agora, digo uma coisa, quando o Congresso acerta a agenda, consegue fazer em uma semana o que não faz em um ano, e nós temos uma dúzia de bons projetos da área econômica”, pontuou.
Meta Fiscal
Mais cedo, no Ministério da Fazenda, Haddad reforçou a necessidade de colaboração dos três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – para o corte de gastos tributários, que atingiram “patamares absurdos” no país, e para o cumprimento da meta fiscal estabelecida.
“De novo, é uma tarefa dos três Poderes cumprir a meta do ano. Se cada Poder usar das suas prerrogativas para conter o gasto e não contribuir para o corte de gastos tributário, que no Brasil chegou a patamares absurdos, vamos ter mais dificuldade de cumprir a meta”, concluiu o ministro.
Aguardamos o desdobramento da reunião entre Haddad e Motta e as negociações em torno do IOF para entendermos os próximos passos da agenda econômica do governo.





