Lula com a primeira-dama no encontro com líder indonésio. (Foto: PR)


A primeira-dama, Janja Lula da Silva, causou repercussão nesta quarta-feira (9) ao proferir a frase “Ai, cadê meus vira-latas”, ou em outra versão, “Ai, esses vira-latas”, após jornalistas questionarem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre as tarifas comerciais para o Brasil que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve anunciar nos próximos dias.

A situação ocorreu no Palácio do Itamaraty, onde Lula se despedia do presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, após um almoço. Ao ser abordado pela imprensa com a pergunta “Trump disse que vai anunciar tarifas contra o Brasil…”, Lula não respondeu, mas Janja interveio com o comentário.

Esclarecimento da Assessoria de Janja

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Após a fala, a assessoria de imprensa de Janja divulgou uma nota para esclarecer o ocorrido, afirmando que a primeira-dama não se referiu aos jornalistas. O comunicado diz: “A frase dita pela primeira-dama, Janja Lula da Silva, não se refere aos jornalistas que perguntaram ao presidente Lula sobre as declarações do presidente americano. E, sim, aos bolsonaristas que estão traindo os interesses e a soberania do Brasil.”

O Anúncio de Trump e a Reação do Brasil

Nesta quarta-feira, Donald Trump citou o Brasil diretamente em um evento com líderes da África Ocidental na Casa Branca, afirmando que o país seria notificado sobre novas tarifas de importação. “O Brasil, por exemplo, não tem sido bom conosco, nada bom”, disse Trump a repórteres. Ele acrescentou que divulgaria “um número referente ao Brasil, acho que ainda esta tarde ou amanhã de manhã”. As tarifas mínimas sobre produtos importados variam entre 25% e 40%, dependendo do país, com validade a partir de 1º de agosto.

Em resposta à escalada das tensões e a declarações anteriores, o Itamaraty convocou o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos. Escobar foi recebido pela embaixadora Maria Luisa Escorel, secretária de América do Norte e Europa do Ministério das Relações Exteriores brasileiro.

A convocação se deu após uma nota divulgada pela Embaixada dos EUA em Brasília que defendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A nota afirmava: “Jair Bolsonaro e sua família têm sido fortes parceiros dos Estados Unidos. A perseguição política contra ele, sua família e seus apoiadores é vergonhosa e desrespeita as tradições democráticas do Brasil. Reforçamos a declaração do presidente Trump. Estamos acompanhando de perto a situação”. Esta declaração endossa o posicionamento de Trump, que, em 7 de julho, publicou em sua rede social Truth Social que os processos judiciais contra Bolsonaro são “perseguição” e “caça às bruxas”, pedindo para que “deixem Bolsonaro em paz”.

Lula, por sua vez, reagiu no mesmo dia, declarando que a “defesa da democracia no Brasil compete aos brasileiros”. Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Lula afirmou: “Somos um País soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja. Possuímos instituições sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei. Sobretudo, os que atentam contra a liberdade e o estado de direito”.