Afinal, quem fez a premiada e histórica fotografia da “Garota de Napalm”, que foi registrada no auge da Guerra do Vietnã, nos anos 1970?
Um documentário exibido no ‘Festival de Sundance”, neste domingo (26), abriu a polêmica, questionando a autoria da famosa fotografia, que correu o mundo na década de 1970. O “Festival Sundance de Cinema” existe desde 1978, como Utah/U.S. Film Festival, por iniciatica do ator Robert Redford, com o intuito de ajudar novos cineastas,
A foto em debate no documentário mostra uma menina vietnamita nua correndo por uma estrada de terra, tentando escapar do bombardeio de forças militares norte-americanas a um povoado. Os ataques por aviões e helicópteros eram feitos usando o produto químico Napalm.
A bomba de Napalm é uma arma incendiária que foi usada de forma dramática na Guerra do Vietnã. O napalm é um líquido inflamável composto por uma mistura de nafta e palmitato de alumínio adicionado para tornar o líquido mais viscoso e aderente. Quando uma bomba desse tipo é detonada, o líquido inflamável é liberado e pode causar danos graves às pessoas e ao meio ambiente. O napalm pode deixar queimaduras graves e mortes, além de danificar prédios. Nas pessoas e animais a bomba causa queimaduras, lesões respiratórias, lesões nos olhos e lesões na pele.
Os diretores do documentário “The Stringer” alegam que a imagem, mundialmente reconhecida por retratar uma menina de nove anos fugindo nua de um ataque de napalm, foi erroneamente atribuída ao fotógrafo Nick Ut, da Associated Press (AP). A organização, no entanto, nega a acusação.
De acordo com o filme, a fotografia – que transformou a percepção global sobre a guerra – teria sido capturada por Nguyen Thanh Nghe, um freelancer vietnamita pouco conhecido.
Nick Ut recebeu um Prêmio Pulitzer (o mais importante dos Estados Unidos) pela imagem. Ele sempre afirmou ser o autor da foto. O documentário aponta que Carl Robinson, então editor de fotografia da AP em Saigon, teria recebido ordens do chefe de fotografia da época, Horst Faas, para atribuir o crédito a Ut.
“Comecei a escrever a legenda… Horst Faas, que estava ao meu lado, disse: ‘Nick Ut. Escreva Nick Ut’”, declara Robinson no documentário, segundo informações do jornal “O Globo”.
Nguyen Thanh Nghe, identificado pelos cineastas como o possível verdadeiro autor, afirma no filme que foi ele quem tirou a fotografia em 8 de junho de 1972, na vila de Trang Bang. “Nick Ut veio comigo na missão. Mas não foi ele que tirou a fotografia… A foto era minha”, diz ele.
A agência de notícias Associated Press publicou na semana passada um relatório detalhando sua própria investigação, que não encontrou provas de que Ut não tenha feito a foto. “A AP está pronta para analisar todas e quaisquer provas e novas informações sobre esta fotografia”, disse a organização em comunicado atualizado no domingo.
A produção do documentário começou quando Robinson revelou suas dúvidas sobre a origem da imagem, o que levou os diretores a investigar o caso. Segundo o diretor Bao Nguyen, o objetivo do filme é “compartilhar essa história com o mundo” e garantir o reconhecimento devido a Nghe.
A revelação gerou controvérsias, incluindo críticas do advogado de Nick Ut, Jim Hornstein. Ele disse que Robinson mantém uma “vingança de 50 anos contra Nick Ut, a AP e Horst Faas”. Ele também mencionou a possibilidade de uma ação por difamação contra os responsáveis pelo filme.
No documentário, a família de Nghe relata que ele frequentemente expressava arrependimento por não ter recebido o crédito pela fotografia. “Fiquei aborrecido. Trabalhei muito para conseguir, mas aquele sujeito ficou com tudo. Teve reconhecimento, prêmios”, desabafa.
Segundo Gary Knight, diretor executivo do filme e repórter fotográfico, a responsabilidade ética na atribuição de crédito é essencial. “A fotografia em questão é uma das mais importantes já feitas, certamente da guerra. Conseguir esse reconhecimento (para Nghe)… foi sempre importante para nós, enquanto equipe de filmagem, partilhar esta história com o mundo”, declarou ele.
Apesar das alegações, o questionamento sobre o motivo de Nghe e Robinson terem demorado tanto tempo para falar continua no centro das discussões. Robinson afirma que temia perder o emprego na época e, mais tarde, acreditou que era “tarde demais” para abordar o tema até redescobrir o nome de Nghe décadas depois. Enquanto isso, as controvérsias permanecem, com a AP mantendo a versão de Nick Ut como autor da icônica imagem.
A “Garota Napalm” esteve no Brasil em 2018 para lançar sua biografia

Phan Thị Kim Phúc, a “Garota Napalm”, é também conhecida como Kim Phúc. Ela nasceu em Trảng Bàng, Vietnã, 2 de abril de 1963. Hoje ela é uma embaixadora da Boa Vontade da UNESCO.
Ficou conhecida como a menina da foto do ataque com bombas de napalm em sua cidade.
Ela tinha nove anos na época da imagem, em que fugia de sua aldeia, que estava sob bombardeio de napalm. Até hoje essa fotografia, tirada em 8 de junho de 1972, é lembrada como uma das mais terríveis da Guerra do Vietnã.
Phan Thị Kim Phúc visitou o Brasil e esteve em São Paulo em 2018 para lançar a sua autobiografia. O livro “A menina da foto – Minhas memórias: Do horror da guerra ao caminho da paz, foi publicado no Brasil pela Editora Mundo Cristão.
Phan Thị Kim Phúc é conhecida como “Napalm Girl” e é um símbolo da Guerra do Vietnã. A menina foi atingida por uma bomba de napalm e ficou com as roupas consumidas pelo fogo. A foto de Kim Phúc foi tirada pelo fotógrafo vietnamita Nick Ut, que a levou para um hospital.
A menina passou por 17 cirurgias e ficou internada por 14 meses. A foto de Kim Phúc rendeu o Prêmio Pulitzer a Nick Ut em 1973.





