Congressistas no dia da votação que derrubou os decretos do IOF, derrotando o governo. (Reprodução: TV)


Uma audiência de conciliação, convocada pelo ministro Alexandre de Moraes, está marcada para esta terça-feira, 15 de julho, no Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro pode terminar sem um acordo entre o Executivo e o Legislativo.

Esta terça-feira, 15 de julho, é um dia de grande expectativa para o governo e o Congresso. É a data que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, definiu para que Executivo e Legislativo se encontrem e cheguem a um acordo sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), um ponto de atrito entre os dois Poderes da República.

Moraes descreveu o encontro como uma “audiência de conciliação”. Nos círculos políticos, ela é vista com grande expectativa, especialmente porque o ministro do STF já havia anulado tanto os decretos do presidente Lula quanto a votação do Congresso que os derrubou, o que representou uma derrota histórica para o governo.

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O governo chegará à audiência com uma postura irredutível quanto à prerrogativa presidencial de editar decretos. A Advocacia-Geral da União (AGU) alegou que a derrubada dos decretos pelo Congresso foi inconstitucional. O ministro Alexandre de Moraes busca resolver esse impasse entre o Executivo e o Congresso Nacional.

A percepção no Palácio do Planalto é clara: a capacidade do presidente de editar decretos é um instrumento essencial do poder presidencial e não pode ser esvaziada. Fontes do governo indicam que, embora possa haver flexibilidade em pontos específicos, como a redução da alíquota ou ajustes na questão do “risco sacado”, a autoridade do Executivo para editar decretos não está em discussão.

Negociações e Fortalecimento Político

Paralelamente à audiência no STF, o governo busca retomar as negociações com o Congresso Nacional. O objetivo é preservar aspectos de uma Medida Provisória (MP) que visa compensar as perdas de arrecadação decorrentes da redução da alíquota do IOF. Essa estratégia reflete o esforço do governo para fortalecer sua posição política e encontrar soluções negociadas.

Interlocutores do presidente Lula avaliam que o governo ganhou “musculatura política” recentemente, especialmente após embates significativos, como o atrito com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre tarifas impostas a produtos brasileiros. Para o governo, esses confrontos geraram um sentimento de unidade nacional, inclusive com o apoio do setor do agronegócio, que considerou as tarifas americanas “extremas” e com motivação política.

Foco na Justiça Tributária

Em outra frente, o governo tem se posicionado como defensor da justiça tributária. A narrativa, veiculada nas redes sociais, busca demonstrar que o objetivo não é apenas aumentar a carga fiscal, mas promover uma distribuição mais equitativa. Essa abordagem tem sido considerada um fator de fortalecimento da posição do governo tanto diante do Congresso quanto da opinião pública.

Com essa combinação de firmeza na defesa de suas prerrogativas e o recente fortalecimento político, o governo chega à audiência de conciliação no STF com uma postura confiante, determinado a defender seus interesses e manter o decreto presidencial, ao mesmo tempo em que busca caminhos para a negociação com o Poder Legislativo.