Japan House: celebração da paz no dia que faz 80 anos da bomba de Hiroshima. (Foto: Divulgação)


No coração de São Paulo, na Avenida Paulista, a Japan House é um pedaço do Japão na cidade que possui a maior colônia de descendentes japoneses no mundo.

Trata-se de uma espécie de território japonês difusor de cultura e conhecimento do país asiático.

Foi nesse local que, nesta quarta-feira (6), foi aberta uma exposição em memória das vítimas da bomba atômica que destruiu Hiroshima e, dois dias depois, Nagasaki, em 1945.

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A abertura da mostra foi nesta quarta-feira, coincidindo com o dia da tragédia nuclear que encerrou a Segunda Guerra Mundial.

A exposição é “Heiwa”, palavra que significa “um apelo de paz”. O evento é gratuito e pode ser visitado até 31 de agosto.

A intenção da Japan House é que o público possa refletir sobre o valor da vida e a coexistência de forma pacífica.

Para a diretora cultural da Japan House, Natasha Barzaghi Geenen, relembrar os ataques atômicos permite aprender com os erros do passado. Segundo Natasha, a questão da memória “é uma coisa que os museus fazem de maneira muito forte”.

“A memória tem a função de replicar os bons exemplos do passado e não repetir aqueles que não deveriam nunca mais acontecer. E muita gente, das gerações mais novas, talvez não tenha consciência do que significou tudo isso (os ataques nucleares). A importância é sobretudo fazer um apelo de paz, que é o mote da exposição”, disse a diretora.

Na exposição, os participantes do evento são convidados a fazer tsurus, que são origamis de papel. Na cultura japonesa, os tsurus representam a paz. Segundo a crença, ao dobrar mil origamis, as pessoas podem fazer um desejo. Oficinas de confecção dos origamis estarão disponíveis na mostra. “É bastante comum na cultura japonesa essa percepção de comunidade. Quando existe alguém passando por uma situação difícil, é comum se juntarem fazendo tsurus, buscando atingir o número de mil para conceder um desejo. A ideia é que a gente tenha uma manifestação do nosso lado, do Brasil, mandando para o Japão o desejo de paz mundial”, explica Natasha. As doações de tsurus recebidas pela Japan House serão enviadas para o Parque Memorial da Paz, em Hiroshima.

O parque apresenta um memorial em homenagem a Sadako Sasaki, uma menina de 12 anos que morreu por exposição à radiação da bomba atômica.

Sadako virou um símbolo de paz mundial. Na luta para viver, dobrou mais de mil tsurus. O irmão de Sadako doou um dos origamis para a Associação Hibakusha Brasil pela Paz, que o cedeu para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

O tsuru foi emprestado para ser exibido na exposição. Outra parte significativa da programação é a instalação de Mari Kanegae. A obra tem formato de origami e simula um jardim suspenso de oleandros.

Depois dos devastadores ataques atômicos em Hiroshima, acreditava-se que o solo atingido pela bomba ficaria infértil por muitas décadas.

Os oleandros foram as primeiras flores a desabrochar no local. Apesar de terem diversas cores no Japão, na mostra as flores estão todas brancas para reforçar a mensagem de paz.

A exposição também traz a projeção de 94 desenhos de crianças de diversos países sobre o que é paz na perspectiva dos pequenos, a exibição de um poema escrito por uma sobrevivente da bomba, Ayako Morita, e a mostra de fotografias atuais de Hiroshima e Nagasaki.

A Japan House São Paulo está localizada no endereço Avenida Paulista, 52. Aberta de terça a sexta, das 10h às 18h, e sábado e domingo, das 10h às 19h.