Presidente Lula durante cerimônia de anúncios de investimentos do Governo Federal para o estado do Acre. Foto: Ricardo Stuckert/PR


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom nesta sexta-feira (8) e defendeu que deputados e senadores que ocuparam as mesas diretoras do Congresso deveriam perder os mandatos.

Durante um evento no Acre, Lula chamou os parlamentares de “verdadeiros traidores da pátria” e dirigiu sua fala diretamente ao senador Sérgio Petecão (PSD-AC).

“E você, Petecão, por favor, não assine o pedido de impeachment do Alexandre de Moraes, porque ele está garantindo a democracia. Quem deveria sofrer impeachment são esses deputados e senadores que ficam tentando fazer greve para impedir o funcionamento da Câmara e do Senado — verdadeiros traidores da pátria”, declarou o presidente.

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Tensão

A polêmica começou nesta semana, quando parlamentares da oposição, em resposta à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ocuparam as mesas da Câmara e do Senado. O grupo bolsonarista pressiona o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que o pedido de impeachment do ministro do STF, Alexandre de Moraes, seja colocado em pauta.

Alcolumbre, no entanto, afirmou que a decisão cabe a ele e que o impeachment não é “uma questão meramente numérica, mas uma avaliação jurídico-política que envolve justa causa”.

Críticas a Bolsonaro

Lula também aproveitou o evento para criticar o ex-presidente. Segundo ele, Bolsonaro “abriu uma lâmpada — a lâmpada mágica — e não saiu o Aladim, saiu o que havia de mais podre neste país para a política”. O presidente lamentou o nível atual do debate político, destacando que os parlamentares agora preferem “gravar a própria imagem, dizer uma bobagem e achar que estão exercendo o papel de deputado ou senador”.

Em outro momento, Lula reafirmou a intenção de concorrer à reeleição em 2026, caso tenha condições de saúde. “Aqueles crápulas que governaram este país jamais voltarão a governá-lo”, disse, ressaltando que o Brasil precisa “acabar com o ódio”. Ele ainda relembrou que, em outras disputas — como com Maluf e Fernando Henrique Cardoso — “não havia essa raiva” que existe hoje.