Grupos protestam na Inglaterra sobre a presença de estrangeiros. (Reprodução: Instagram)


O governo do Reino Unido anunciou nesta segunda-feira (11) a expansão de seu polêmico programa de deportação.

A medida, que permite a expulsão de estrangeiros condenados por crimes sem que cumpram a pena integral no país, agora inclui 23 nacionalidades, um aumento significativo em relação às 8 nações que faziam parte da lista anteriormente.

O programa, conhecido como “deport now, appeal later” (“expulsar agora, recorrer depois”), foi uma das bandeiras da gestão do primeiro-ministro Keir Starmer, que colocou a redução da imigração como prioridade.

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Segundo a ministra do Interior, Yvette Cooper, o objetivo é combater a exploração do sistema de imigração por “criminosos estrangeiros” que, segundo ela, utilizavam recursos legais para atrasar suas deportações.

Preocupações

A decisão de deportar criminosos antes do cumprimento total da pena levanta preocupações sobre a eficácia da punição, já que a responsabilidade pela pena é transferida para o país de origem.

Em alguns casos, isso pode resultar na libertação imediata dos indivíduos ao chegarem a seus países.

O governo britânico, por sua vez, argumenta que o programa gera uma economia substancial para o Estado, calculando que o custo de manter um detento em uma prisão britânica é de aproximadamente 54 mil libras por ano.

Entre os 15 novos países incluídos na lista estão Angola, Austrália, Bulgária, Canadá, Índia e Quênia.

Extrema-direita

A expansão do programa de deportação ocorre em um momento de forte instabilidade social no Reino Unido.

As manifestações contra a presença de imigrantes em diversas cidades se intensificaram, tendo como epicentro a cidade de Epping. A onda de protestos foi desencadeada após a prisão de um solicitante de asilo etíope acusado de tentar beijar uma adolescente.

O incidente provocou a mobilização de ativistas anti-imigração, que cercaram hotéis que abrigam solicitantes de asilo.

A extrema-direita britânica tem capitalizado a situação, com confrontos frequentes entre grupos radicais e manifestantes antirracistas. As autoridades se mostram preocupadas com a escalada da violência e já prepararam um contingente de 3 mil policiais para conter possíveis novos conflitos, em um cenário que evoca os distúrbios de 2024.

A situação em Epping reflete a frustração de parte da população com a política de acomodação de solicitantes de asilo em hotéis, que tem um custo diário para o Estado de mais de 63 milhões de reais.

A conselheira regional Holly Whitbread expressou o sentimento de insegurança de muitos moradores, defendendo que o governo ignore essas preocupações. Em resposta, o Ministério do Interior está trabalhando para realocar alguns solicitantes de asilo.