Lula e Xi Jinping: sócios no Brics e aliados comerciais. (Foto: EBC)


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping conversaram por telefone, em um momento de escalada de tensões comerciais e geopolíticas globais. A ligação, realizada a pedido do Brasil, durou cerca de uma hora e teve como principal tema a defesa do multilateralismo, com ênfase no papel do G20 e do BRICS.

A iniciativa brasileira ocorre logo após a imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, sobre produtos brasileiros.

A China, maior parceiro comercial do Brasil, também enfrenta há anos uma intensa disputa comercial com os EUA. A união dos dois líderes, portanto, sinaliza uma frente comum contra o unilateralismo e o protecionismo, políticas que têm sido a marca da diplomacia americana em anos recentes. O governo brasileiro criticou as tarifas de Trump, classificando-as como uma medida unilateral que pode prejudicar o comércio global.

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A mídia estatal chinesa, por sua vez, reforçou a mensagem de união. Segundo a agência de notícias Xinhua, Xi Jinping declarou a Lula que os países devem se opor firmemente a essas práticas, defendendo a “autossuficiência” e a cooperação entre nações.

Fortalecimento da parceria estratégica Brasil-China

Além da diplomacia internacional, a conversa aprofundou a parceria estratégica bilateral entre Brasil e China. Os líderes saudaram os avanços na cooperação e se comprometeram a expandir o escopo para novas áreas de interesse mútuo. Setores como saúde, petróleo e gás, economia digital e satélites foram apontados como promissores para futuros projetos conjuntos.

Essa aproximação é vital para o Brasil, dada a gigantesca balança comercial entre os dois países. Nos primeiros sete meses do ano, as exportações brasileiras para a China superaram os US$ 57,6 bilhões, com destaque para produtos do agronegócio, como soja e carne. Já as importações somaram US$ 41,7 bilhões. A relação comercial robusta torna a China um parceiro indispensável para o desenvolvimento econômico brasileiro.

COP 30

Lula também aproveitou a ligação para discutir a COP 30, a conferência do clima que será realizada em Belém (PA). O presidente brasileiro reforçou a importância da China para o sucesso do evento e no combate às mudanças climáticas. Em resposta, Xi Jinping garantiu que a China enviará uma delegação de alto nível e que trabalhará em conjunto com o Brasil para garantir o êxito da conferência.

Paralelamente, o governo brasileiro estuda medidas de reciprocidade em resposta às tarifas americanas. O tema, considerado delicado, está sob análise dos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Fazenda.

Embora empresários brasileiros temam que a aplicação da Lei de Reciprocidade possa encarecer produtos importados dos EUA, a orientação de Lula é analisar medidas pontuais e específicas, e não adotar ações amplas que possam escalar a guerra comercial.

Em um cenário global cada vez mais hostil, a diplomacia brasileira busca afirmar sua soberania. Durante um evento no Palácio do Planalto, Lula afirmou que o país precisa manter-se forte e unido, pois “o mundo está ficando mais perverso, mais nervoso”. A conversa com Xi Jinping e a busca por novos parceiros estratégicos parecem ser a resposta do Brasil a esse contexto desafiador.

VEJA A POSTAGEM DO PRESIDENTE LULA: